A Presidente da República tem feito um esforço hercúleo e, até agora, bem sucedido de enfrentar a ganância do setor financeiro por lucro
É natural no ambiente de negócios e circulação de dinheiro que o empresário pense, a todo momento, na lucratividade. Porém, com a voracidade dos bancos em lucrar, os consumidores acabaram por inadimplir com seus compromissos e, por consequência, gerar mais lucros aos bancos que aumentam os juros. Este círculo vicioso tende a diminuir com as novas medidas econômicas anunciadas pelo governo. Desde que me entendo por gente, os juros no País são escorchantes e assolam a vida do brasileiro de tal modo que corroem o poder de compra e levam muitos à bancarrota. Em contrapartida, os bancos anunciam, ano após ano, recordes de lucratividade. Depois de 36 anos, vejo o quadro se modificar. Cumprindo seu verdadeiro papel de regulador da economia e protetor dos menos afortunados, o governo interviu na caderneta de poupança e, numa medida inédita, determinou a redução dos juros de seus dois princiPaís bancos: Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
A iniciativa, sem dúvida, é louvável, porém ainda insuficiente. A redução anunciada ainda não surtiu o efeito desejado, qual seja: a redução dos juros de todo o mercado financeiro. Parece que os bancos privados contam com a desinformação do consumidor ou até mesmo com o medo da mudança e comodismo inerente ao brasileiro. Portanto, é preciso que o consumidor reaja e exija redução das taxas de juros de seu banco privado para que se crie uma “onda” de redução de juros no setor financeiro.
É inadmissível continuarmos a conviver com taxas mensais de juros de 13% como fazem alguns cartões de crédito que praticam taxas de juros de até 500% ao ano. Um absurdo. É criminal a postura de algumas instituições financeiras. O paradoxo é que quanto mais o consumidor precisa de crédito, maior é a taxa de juros com ele praticada. Quanto mais aplicações financeiras o consumidor possui, quanto maior sua saúde financeira, menores são as taxas de juros porque menor é o risco de calote ao Banco, ou seja, os bancos não perdem quase nunca. Ora, é pouco provável que um consumidor que possua aplicações financeiras, necessite de empréstimo pessoal. Na verdade, os bancos extrapolaram todos os limites do razoável e o governo, ausente, intervém num momento crucial para o desenvolvimento e crescimento do Brasil.
Mas a questão permanece: os juros baixaram? É preciso cuidado para responder esta pergunta. Circunstancialmente, os dois bancos públicos baixaram nominalmente as taxas de juros, mas o consumidor deve redobrar sua cautela, antes de tomar empréstimo bancário. Primeira providência é analisar a necessidade de se tomar empréstimo e comprometer seu orçamento doméstico mensal com parcelas de financiamento. A segunda questão é que se houver efetiva necessidade em se obter empréstimo para aquisição de imóvel ou investimento em seu negócio, é preciso realizar ampla pesquisa de mercado para avaliar as melhores taxas. Comece, prioritariamente, pelo banco em que já possua conta corrente há mais tempo. Num primeiro momento, mudar de banco pode não ser a solução mais viável.
Lembro quando as tarifas de telefonia celular e fixo no Brasil começaram a disputar espaço comercial pela conquista do consumidor. Eram inúmeras as propagandas e existia uma gama enorme de pacotes e tarifas “especiais” que, muitas vezes, não representavam economia significativa. Na época, era melhor tentar negociar com a operadora que você já mantinha relação comercial para forçar a queda nos preços. Atualmente, há uma melhor compreensão do mercado de telefonia e suas variáveis de tarifas, de modo que o consumidor tem melhores condições de avaliar qual a melhor opção.
Da mesma forma deve agir o consumidor neste momento. A pior atitude é sair no mercado financeiro, que ainda não se estabilizou, e se oferecer para tomar empréstimo. Você pode estar fazendo um mau negócio. Não se desespere, negocie com seu gerente, diga-lhe as opções de juros que existem no mercado e exija que seu gerente cubra a oferta. Certamente, haverá orientação do banco para que o gerente não perca o cliente para outro banco e se esforce em mantê-lo naquele banco.
Evidentemente que juros mais baixos podem ser associados ao aumento de consumo e de produção e, por via de consequencia, à ampliação de emprego e renda, fazendo girar a roda da economia. No entanto, é preciso lembrar que, em 2011, houve aumento da inadimplência no Brasil. Recente pesquisa do Serasa denota que o consumidor brasileiro já compromete 22% de sua renda mensal, tendo pouca margem de manobra, enquanto que o americano, que viveu boom de inadimplência, há dois anos, compromete menos de 16% de seu orçamento mensal.
Por isso, a iniciativa da presidente Dilma, histórica, de reduzir as taxas de juros é importante marco econômico brasileiro. Mas o brasileiro deve agir com bastante inteligência antes de ‘aproveitar’ a propalada redução. Afinal de contas, os juros realmente baixaram? Pesquise e opine aqui neste espaço.
DICAS DE ECONOMIA
Pesquisei na internet algumas dicas de economistas para os consumidores não cometerem erros e se superendividarem: 1 - Jamais entre no cheque especial e, se entrar, fique o menor tempo possível. 2 - Nunca comprometa mais de 30% de sua renda com dívidas. 3 - Nunca role juros do cartão de crédito, pague a fatura sempre à vista, custe o que custar. 4 - Reduza ao máximo o número de cartões de crédito que possui, dois são mais que suficientes. 5 - Faça um controle rigoroso, por escrito, de seus gastos mensais, você só saberá o remédio que precisa se diagnosticar seus gastos mensais detalhadamente. Seja consciente e não gaste excessivamente.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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