Nada de videogame, computador ou brincadeiras de rua, como pega-pega, esconde-esconde ou queimada. Números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) revelados na última semana mostram que em Franca 647 crianças de 10 a 13 anos estavam trabalhando quando a pesquisa foi realizada. Os dados fazem parte dos resultados gerais da Amostra do Censo 2010 e apontam que 790 crianças nessa faixa etária eram economicamente ativas, sendo que 143 estavam à procura de um emprego.
A pesquisa, porém, não informa onde vivem esses menores, o tipo de trabalho que exercem e seu rendimento. Segundo a chefe da agência do IBGE em Franca, Míriam Aparecida Espagnolo, a quantidade corresponde às respostas dadas durante o recenseamento realizado em 2010. Na ocasião foram aplicados dois questionários - um mais simples e outro com todas as questões pesquisadas - e em ambos foram incluídas perguntas sobre a renda de todos os membros do domicílio. “A pergunta era se haviam crianças com dez anos ou mais que trabalhavam e as opções oferecidas eram sim ou não. Também deveria ser informado o total de crianças”, disse Míriam.
Para o técnico de pesquisa do IBGE, Oscar Eurípedes Molina, os números são reais, porém os dados são sigilosos. “Durante a pesquisa é garantido aos entrevistados que as informações passadas são sigilosas. Isso passa credibilidade.”
O levantamento traz os números divididos por faixa etária a partir de dez anos e subdivididas em economicamente ativas (trabalham), economicamente ativas ocupadas (empregadas), economicamente ativas desocupadas (desempregadas) e não economicamente ativas (não trabalham). Surpreende o fato do município ter, segundo o IBGE, 143 crianças desempregadas (que estavam em busca de emprego), entre dez e 13 anos (veja quadro nesta página). Comparado a outras cidades do mesmo porte, o total de Franca supera o de Piracicaba (553 crianças economicamente ativas) e Jundiaí (363 crianças economicamente ativas), mas fica abaixo em relação a Bauru (921 crianças economicamente ativas).
A presidente do Conselho Tutelar de Franca, Gláucia Limonti, acredita que os números não correspondem à realidade, mas diz que o Conselho não possui estatísticas de crianças trabalhando nessa faixa etária. Segundo ela, são raras as denúncias do tipo. “Recebemos de uma a duas (denúncias) no máximo por mês.” Segundo Gláucia, das denúncias apresentadas, a maioria é referente a criança trabalhando em bancas de pesponto ou na venda de balas e bombons.
Durante os últimos dois dias, a reportagem do Comércio percorreu algumas regiões da cidade em busca de flagras de crianças trabalhando. Foram quatro horas de rondas e somente um registro no Jardim Guanabara, de uma criança que auxiliava a mãe a recolher recicláveis com um carrinho de mão. Questionada se o menino trabalhava, disse apenas que ele ajudava na renda da casa.
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