Aos 48 anos de idade, o sargento Cruz, do Corpo de Bombeiros de Franca, se aposentou há duas semanas após 26 anos de profissão. Da carreira de quase 30 anos, Cruz se recorda de muitas ocorrências a que atendeu e elege a do ônibus de estudantes de Sacramento (MG), na Curva da Morte em Rifaina, como uma das mais marcantes.
O sargento Cruz e os companheiros de plantão estavam no alojamento dos Bombeiros quando o telefonista chegou e disse que poderia ter acontecido um grave acidente com o ônibus de universitários perto de Rifaina. Num primeiro momento, todos desconfiaram, mas logo novos telefonemas, inclusive de policiais, foram feitos para a base de Franca confirmando a tragédia.
A primeira viatura a chegar para o resgate no local da tragédia foi a que estava o sargento Cruz. “Era uma cena de guerra. A gente não sabe o que fazer, por onde começar. Ouvia várias pessoas chamando, pedindo socorro, com dor. Comecei pelo primeiro que encontrei. Tinha muitos corpos. Ia passando pelas pessoas, checava se tinha sinais vitais, como batimentos cardíacos e respiração, e se não, passava para outra vítima.”
O fato de haver tantas vítimas jovens chocou o sargento Cruz. “A experiência ajuda a manter o equilíbrio em momentos como esse, mas muitas vidas jovens foram perdidas nesse acidente.”
Após a queda no penhasco começou a chuva e o temporal somado ao difícil acesso ao local onde o ônibus caiu dificultaram os trabalhos de resgate. Cordas foram usadas para retirar os feridos sobre pranchas de madeira e depois os corpos. As ambulâncias tentaram descer para facilitar a retirada das vítimas, mas acabaram encravando. “Foi um resgate muito difícil.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.