Técnico com maior número de títulos na história do basquete nacional, Hélio Rubens Garcia, 71 anos, que está à frente do comando do Vivo/Franca desde 2005, diz que seu futuro junto ao clube é incerto. Considerado ultrapassado por parte da imprensa e da torcida, o treinador aguarda o fim do seu contrato, em junho, para tomar uma decisão sobre sua permanência ou não no time. “Nós estamos em período de avaliação e confecção de um relatório a ser apresentado à diretoria. Vou analisar com muita calma as opções que tenho de trabalho, inclusive fora do basquete, para tomar uma decisão”, disse Hélio Rubens.
O treinador revelou que tem convites para dirigir outros clubes, assim como de entidades para ministrar clínicas de basquete e palestras motivacionais que, segundo ele, era obrigado a recusar em razão dos compromissos com o esporte. Depois da eliminação do time no playoff das quartas de final do NBB 4, ele afirmou que evita, até mesmo, falar sobre basquete. “Agora estou em um período de não pensar em nada, fazendo um relatório de tudo o que aconteceu (ao longo da temporada 2011/2012) para entregar à diretoria e aguardando o fim do contrato.”
Indagado sobre o relatório que prepara, o treinador afirmou que se trata de uma análise de tudo o que ocorreu desde o início da atual temporada, em junho do ano passado. Hélio Rubens evitou comentar sobre desempenhos. Alegou estar analisando cada atleta sob o aspecto pessoal e coletivo e a equipe com um todo. “O relacionamento em qualquer trabalho é o maior investimento de uma empresa. Você pode ter pessoas muito competentes, mas se vivem isoladas no meio das outras em seu trabalho, este trabalho pode ser prejudicado”, filosofou.
A temporada pífia do time após o vice-campeonato do NBB no ano passado, Hélio Rubens atribuiu ao “pouco tempo de convivência” entre os atletas. Ele citou Rafael Baby e os norte-americanos Brian Woodward e Jermaine Johnson, que chegaram e rapidamente deixaram o clube, e as chegadas atribuladas de Kevin Sowell, Eddie Basden e Vuk Ivanovic já com o NBB em andamento. Também lembrou das contusões de Fernando Penna, Léo Meindl, Felipe Tadei, Márcio Dornelles e Ricardo Probst. “São vários fatores que contribuíram (para o resultado ruim).”
Hélio Rubens confidenciou que antes do início da atual temporada entregou uma lista ao presidente Luís Carlos Teixeira. Nela, constavam nomes para reforçar o elenco. Ele citou que, entre outros, estavam nomes como Nezinho, Fulvio, Figueroa. Apenas Wanderson foi contratado com seu aval. “Precisava de dez atletas de bom nível. Os outros podiam ser mais jovens, dentro do processo de renovação que é tradição em Franca”. A lista de inscritos para os torneios foi bem diferente da apresentada e, somada a saída de atletas importantes, contribuiu diretamente para o final melancólico.
Sobre as críticas que recebe, o treinador diz serem frutos de um “conceito falso de que o time é o que tem mais dinheiro”. “Lamentável porque não condiz com a realidade”, desabafou. Ele as classificou como “altamente frágeis”. “Elas (críticas) não tem consistência, não são verdadeiras e não nos intimidamos com isto. O que as pessoas pensam da gente é problema delas, porque estamos em paz com nossas consciências, nosso trabalho, nossa religião e nossa família”.
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