Protesto jovem


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A última vez em que os jovens saíram às ruas para protestar de forma mais organizada foi quando aconteceu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. De lá para cá, registraram-se apenas alguns poucos episódios isolados, geralmente ligados a problemas internos em universidades específicas.

De forma geral, se olharmos para o nosso passado, com certeza não iremos perceber muitos movimentos organizados e consistentes, que conseguissem aglutinar nossos jovens em torno de um único objetivo, a não ser nas décadas de 1960 e 1970, quando muitos se entregaram à luta contra a ditadura. Nesse sentido, é importante refletir sobre a marcha de protesto que aconteceu na Esplanada dos Ministérios, conforme matéria publicada por este Comércio no domingo, 22/04.

Apesar de não ter sido um ato especificamente jovem, eles estavam em maioria. Muitos se vestiam de preto e carregavam faixas e cartazes que pediam o fim do desvio de verbas públicas e o fim da corrupção que perpassa nosso organismo político em quase todas as suas artérias.

Em um mundo extremamente materialista e sedutor, em que a impressão corrente é de que os jovens estão cada vez mais alienados em seus mundos particulares, pensando apenas em carreira, consumo e prazeres, é importante perceber que ainda há jovens que se predispõem à luta. Jovens que percebem o quanto essa corrupção é nociva para a democracia e, por consequência, começam a se organizar para combatê-la.

Utilizando-se das eficientes redes sociais, parece que os organizadores do Movimento Brasil Contra a Corrupção (MBCC) estão conseguindo impactar novamente os jovens, forçando-os a uma reflexão mais aprofundada sobre os problemas que permeiam a sociedade brasileira.

No entanto, apesar dessa retomada de um espírito político mais contundente por parte de nossos jovens, é de se lamentar o pequeno número de participantes que compareceram ao protesto. Com tanta divulgação dos atos ilícitos perpetrados por nossos políticos, era de se esperar que mais gente, e não apenas os jovens, estivesse revoltada com as bandalheiras que surgem diária e tranquilamente em todos os níveis de nossa federação, como se fossem as ações mais naturais do universo.

A julgar pelos cerca de 1,5 mil participantes, porém, é de se supor que boa parte de nossa população não está se sentindo incomodada com essa situação. Mesmo que consideremos a correria da vida moderna, a falta de tempo e as preocupações relacionadas ao trabalho e à família, era de se esperar um pouco mais de nossos adultos.

De qualquer forma, é importante notar essa movimentação e essa insatisfação entre os jovens. Afinal as transformações futuras dependerão muito mais dessa nova energia do que daquela mais acomodada e previsível dos adultos, mais concentrados em seus problemas particulares.

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