Para tentar compreender a lógica aparentemente incoerente apontada pela pesquisa do Ministério da Saúde, que abrange o aumento de peso, a maior conscientização das pessoas sobre os problemas da obesidade e o aumento da prática esportiva, a reportagem do Comércio resolveu percorrer alguns bares de Franca.
Em primeiro lugar, fomos ao Bar da Careta, um ponto de encontro já tradicional da cidade, famoso por seu torresmo e por seus bolinhos fritos. Obviamente, as mesas estavam tomadas por petiscos calóricos e gordurosos. Segundo os clientes, esses petiscos são os mais prazerosos e adequados ao ambiente alegre e descontraído do lugar.
Para as amigas Roberta Ribeiro, Jéssica de Paula, Suzi Pereira, Marina Lopes e Ana Luisa Lazarini, essa questão do excesso de peso está ligada ao estilo de vida atual. “Estamos sempre correndo. Em função disso, acabamos optando por petiscos ou produtos industrializados para facilitar nossos encontros”, afirmou Ana Luisa.
As cinco admitiram, no entanto, que torresmos e bolinhos são bem mais saborosos do que outras comidas mais saudáveis. “Torresmo combina com cerveja. É ótimo para descontrair e aliviar o estresse”, disse Roberta.
Todas afirmaram estar conscientes dos problemas do excesso de peso, mas disseram que, como não exageram e procuram se cuidar, não veem nenhum problema em continuar se reunindo em bares ou restaurantes com o papo regado a cerveja e petiscos.
“Eu tinha sugerido outro lugar, mas perdi. Não vou deixar de encontrar minhas amigas por causa disso. É só me controlar e comer menos”, afirmou Jéssica.
Em outra mesa, os representantes comerciais Alexandre Anselmo, Denis Rubick, Éder Fagundes e Ruriam Urquiza também estavam apreciando uma boa porção de torresmo, acompanhada de uma cerveja bem gelada.
Em clima bastante descontraído, eles afirmaram estar bem conscientes dos problemas de excesso de peso. Apesar de alguns admitirem estar um pouco acima do peso ideal, todos afirmaram que estão cuidando da saúde e procurando manter ou perder um pouco de peso.
Mas, reconheceram também que o prazer de um papo descontraído com os amigos ou colegas de trabalho e a possibilidade de aliviar um pouco o estresse são bastante tentadores.
“Depois de um dia de muito trabalho, esse é o momento em que nos reunimos com nossos clientes e podemos comemorar os negócios realizados”, falou Rurian.
Denis, que é de Santa Catarina e estava a negócios em Franca, disse que atualmente a oferta gastronômica nos bares é muito grande e variada, o que acaba atraindo cada vez mais as pessoas.
“Nós somos de fora e não podíamos deixar de experimentar o que é tradicional em Franca”, complementou Éder.
Mais brincalhão, Anselmo afirma que estava comendo “um torresminho” apenas para manter sua forma atual... “Imagine a gente aqui nesse bar, tomando cerveja, fazendo fofoca e comendo um prato de alface. Não iria dar certo”, disse Anselmo, provocando uma gargalhada geral.
Ele acrescentou que qualquer análise sobre o tipo de alimentação em Franca teria que levar em consideração a cultura mineira que é bastante influente em nossa cidade. “Estamos acostumados com comida gordurosa. Desafio qualquer um a abrir mais de um restaurante vegetariano nessa cidade.”
De acordo com Paulo César Borges, proprietário do Bar da Careta, o torresmo é realmente o campeão de vendas, apesar de ter aumentado a demanda dos clientes por saladas.
“Eu vendo aproximadamente 250 kg de torresmo por semana. Mas os bolinhos e as linguiças também saem bastante.”
SANDUÍCHES
Deixando de lado o torresmo e passando para outro tipo de alimento bastante apreciado pelos francanos, a reportagem esteve na lanchonete Brutus, que só pela brincadeira do nome já dá uma idéia do simbolismo que envolve a questão do comer bem.
Da mesma forma que no Bar da Careta, no Brutus os lanches mais pedidos são os mais calóricos. De acordo com os irmãos Moisés Faria Lopes e Luiz Antonio Lopes, proprietários da casa, cerca de 60% dos lanches vendidos estão entre os maiores, o X Tudo, X Bacon, Lombo Tudo, o Filé Tudo e o A Moda da Casa, carro chefe em termos de tamanho e só indicado para estômagos bem preparados.
“Mas, de uns quatro anos para cá, também estamos vendendo bem o X Filé Light. Hoje ele já alcança cerca de 10% das vendas da casa e é vendido principalmente para as mulheres”, contou Luiz Antonio.
Enquanto os proprietários conversavam com a reportagem, em uma mesa ao lado, Edvaldo Mantovani, Érica Zadonati e Daiane Silva degustavam uma porção de batata frita com bacon.
Eles confessaram que atualmente não estão comendo com muita qualidade e nem fazendo atividades físicas com a regularidade que deveriam. “Eu preciso voltar para a academia, sei disso, mas o difícil é manter a regularidade”, explicou Érica.
“E o duro é lidar com o final de semana, é churrasco e cerveja direto”, acrescentou Edvaldo.
Sem problemas com a balança, os amigos disseram que, como não comem esses alimentos mais gordurosos a todo momento, acreditam que podem sair um pouco da linha no final de semana. “A promessa da academia fica para a segunda”, ironizou Daiane.
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