Lancei aqui, sábado passado, chamado àqueles que, como eu, preocupam-se com a falta de cidadania que grassa por aí
Coloquei-me à disposição para replicar, cá neste Comércio, informações sobre ações que se praticam por ai, capazes de reestimular nas pessoas o gosto pelo gesto educado, pelo reconhecimento ao outro (morrerei dizendo que a gratidão é mais importante de todas as virtudes), pelas falas polidas hoje totalmente desconhecidas das gerações X e Y e, porisso mesmo, fadadas a serem pronunciadas cada vez menos.
Lembrei-me do Maurilo Casemiro, idealizador e gestor por anos do Instituto Pró-Criança e que me procurou ano passado com um projeto legal debaixo do braço, o “Legal é ser educado”. O Comércio gostou e abraçou a causa ajudando-o a estimular, em alunos de escolas locais – e, até, a premiar classes inteiras que mais praticassem – a volta ao “muito obrigado”, “bom dia, boa tarde, boa noite, como vai você”, “perdoe-me, porque errei”, “conte comigo”, “senhor”, “senhora” e palavras mais que ajudaram a construir homens e mulheres de bem pactuados com o respeito humano. Desde que o conceito de família que educa e se preocupa com o filho começou a perecer, e a escola acompanhando, tornando-se laboratório de projetos pedagógicos experenciais, esses modos gentis começaram a desaparecer e todo mundo viu no que deu. Sei que após o planejamento inicial e um pré-projeto anunciado ano passado, Maurilo e o GCN retomam tudo nos próximos meses. (Causas de cidadania são, dentre todas as causas, as que mais tempo levam para alçar vôo. Acho difícil que esse timing mude. Será dificil fazer os de agora acreditarem que é isso pode melhorar as pessoas. Sem pessimismo, claro.)
Pois bem. Um de meus motes recorrentes tem sido a insegurança pública, filha bastarda da impunidade. Sei que cansa as pessoas velozes de hoje pedir-lhes a que olhem em volta do próprio corpo e observem se há alguém que nos circunda e precisa de auxílio. Respondem-me que dá muito trabalho cuidar e defender a si próprios contra os outors, de olhos vorazes. Afinal, estamos no mundo do ‘me dá aqui o que você tem ai. Se não der, tomo’. Já quem ninguém pune, continuam...
Encontro ecos aqui e ali, o que garante que a guerra deve ser empreendida, mesmo devagar. Amir Antônio Miguel, ex-delegado seccional de Polícia em Franca, é um destes. Escreveu-me, preocupado com a insegurança e a impunidade. Sem lhe perguntar se posso, mostro trechos de sua carta-cidadã. Aproveito para agradecer-lhe a honra de tê-lo dentre meus leitores.
CARTA-CIDADÃ
Sou leitor assíduo de sua coluna. (...) a educação dos jovens e adolescentes nos dias atuais remete a pensar nos pais que tivemos, nas famílias com as quais vivenciamos; o respeito que tínhamos com os idosos, a professores (que) além de ensinar, davam extensão à educação que recebíamos “de berço”. (...) faço meu o seu pensamento: (...) também acho que estamos no “fundo do poço”. (...) o senador Pedro Simon afirmou taxativamente (dias destes), que do Congresso “nada pode se esperar de bom” e que, “só uma mobilização nacional popular pode mudar alguma coisa.” (O congresso deveria modificar a) Lei de Execuções Penais, garantindo que penas sejam efetivamente cumpridas (30 anos? Que sejam 30 anos efetivamente cumpridos, sem regalias), o que demandaria mais presídios e penitenciárias, (mas) isso não é “de agrado” de nossos políticos. (Eles) procuram se esquivar para (conforme afirmou o deputado Romário) não “se queimarem” em ano de eleição. (Triste). (Seria com ações assim que) poderíamos ter um novo começo, uma leve esperança de conduzir nossos jovens em busca de novos usos e costumes. (...)”.
BLOCO DE NOTAS
FORMANDOS DE 1940
Beto Monteiro esteve no GCN comigo, esta semana. Contou-me que tinha acabado de postar em seu Facebook uma fotografia de formandos de 1940 do Grupo Escolar da Cidade Nova (situado exatamente na esquina da rua Padre Anchieta e avenida Major Nicácio, onde está hoje uma casa de tintas), e que nela estava minha mãe, Juraci. Não acreditei. Dona Jura – como a chamo –, hoje com 86 anos, teria em 1940, 14 anos. Nunca vi uma foto dela nesta idade e, penso, nem ela. Teve infância pobre. Para elas – Dona Sinhana sua mãe, e irmãs Maria e Zoraide – certamente fotografia seria coisa de outro planeta. Beto também me disse que quem lhe enviou a foto foi Mário Ferraro, exatamente o Mário dono da conhecida serraria que esteve estabelecida na rua Libero Badaró por anos e anos, até à aposentadoria dele. Foi um dos colegas de salas de aula de minha mãe lá naqueles anos. Vou lhe pedir emprestado o original para copiar e fazer um quadro para presentear minha velha. Também, vou pedir ao Valdes Rodrigues que publique lá em seu Painel deste Comércio. Será a chance de ver como eram Tufi Nassif, Ricardo Emer, Aparecida Naldi e tantos outros jovens da época. Mário, estamos combinados?
CRIATIVIDADE
Passou pela minha rua um carro gritando a venda de abacaxi e melancia. Ouvi, na gravação de anúncio das frutas: “Aceitamos telesena”. Vejam onde vai a criatividade do brasileiro para vender mais! Silvio Santos vai abrir um sorriso mais largo ainda. Sua telesena virou moeda!
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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