Leitura da Bíblia
“O Espírito da realidade, que o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14:17)
Consertar as redes
Em seu ministério terreno, o Senhor treinou os discípulos para que fossem Seus apóstolos, Seus enviados. Certo dia, Ele os levou ao templo em Jerusalém, onde encontrou os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e ainda os cambistas. Então, Ele fez “uma azorrague de cordas, expulsou a todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou o dinheiro dos cambistas e virou as mesas. E disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui essas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio” (Jo 2: 15-16). Isso deve ter causado profunda impressão nos discípulos, pois eles se lembraram de que está escrito: “O zelo da Tua casa me devorará” (v. 17).
Em outra ocasião, quando se retiravam do templo, os discípulos se aproximaram Dele para Lhe mostrar as construções do templo, porém Ele disse: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo: De modo nenhum ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada” (Mt 24:2). Ele se referia ao templo físico que seria destruído.
Em João 2: 18-19 lemos: “Perguntaram-Lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, visto que fazes essas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o levantarei”. Os judeus se admiraram, mas Ele se referia ao santuário do Seu corpo (v. 21). Novamente isso causou profunda impressão nos discípulos, pois quando Ele “ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se [...] de que Ele dissera isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus havia dito” (v. 22).
A maneira como cada discípulo absorvia o ensinamento do Senhor era diferente. Dentre os quatro Evangelhos, dois foram escritos por Mateus e João, discípulos que O acompanharam em Seu ministério terreno. Marcos e Lucas escreveram baseados no relato de outros. Olhando para Mateus, Marcos e Lucas, percebemos que os registros são muito similares; mesmo assim ainda têm diferenças, porque, cada um tinha uma maneira de ver.
No princípio, João sempre servia com Pedro (Lc 22:8; At 3:1; 4:13; 8:14). Contudo, no final de sua vida, João foi exilado na ilha de Patmos e ali o Senhor lhe deu a revelação de Apocalipse e o incumbiu de escrever as coisas que estavam por vir (Ap 1:9-11, 19). Após ter sido libertado do exílio, segundo a história, João foi para Éfeso, onde escreveu o seu Evangelho e as Epístolas.
Por ter João obtido muita revelação, os seus escritos são únicos e o seu Evangelho não é considerado sinótico, isto é, não tem tanta semelhança com os demais evangelhos. João usa expressões singulares como “o Espírito da realidade” (Jo 14:17; 15:26; 16:13) e relata que, ao cair da tarde do dia em que ressuscitou, o Senhor se pôs no meio dos discípulos, soprou neles e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). Dessa maneira eles receberam o Espírito Santo interiormente, no aspecto essencial, o Espírito de vida e vivificante (1 Co 15:45), por meio do qual a vida de Deus entra em nós e pouco a pouco cresce, enche-nos e satura-nos totalmente.
O Evangelho de João apresenta o Senhor como Deus: Ele é o Verbo que no princípio estava com Deus e era Deus (1:1), e se fez carne e armou tabernáculo entre nós (v. 14). Essas palavras não foram invenção dele, mas fruto da obra e da revelação do Senhor, quando ele diz em Apocalipse que estava em espírito e assim pôde obter as quatro grandes visões que lhe foram dadas (Ap 1:10; 4:2; 17:3; 21:10). João era alguém que vivia no espírito e obtinha revelações no espírito.
As palavras escritas por João em seu Evangelho não foram inventadas por ele; antes foram ditas pelo próprio Senhor Jesus nos três anos e meio em que esteve com os discípulos. Talvez eles não se lembrassem delas, pois Mateus, Marcos e Lucas não as registraram, mas João foi usado por Deus para “consertar” a rede.
Ponto-chave: Receber revelação no espírito
Pergunta: Por que os escritos de João são únicos?
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