Indústria perde 10 mil operários em onze anos


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Consolidado nas últimas décadas como o maior empregador da cidade, o setor industrial de Franca está perdendo sua representatividade. Nos últimos onze anos, acometido de muitas altas e baixas, viu ocorrer uma forte migração de empregados para os setores comercial e de serviços. Segundo dados do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), levantados pelo Comércio da Franca em homenagem ao Dia do Trabalhador celebrado nesta terça-feira, juntos os setores de serviço e comercial já empregam atualmente mais do que a indústria. São 43.646 funcionários reunidos nas duas áreas contra 33.674 distribuídos pelas fábricas - a maioria ligada à cadeia courocalçadista. Antes esse cenário era de 23.990 trabalhadores no comércio e serviços contra 25.675 na indústria.
 
Em 2000, a indústria respondia por 49,3% do número total de pessoas empregadas em Franca. Os serviços e comércio, por 46%. Em 2010, a participação da indústria caiu para 31,15%. Já a dos setores de serviços e comercial subiu para 54% (veja quadro).
 
Para Vicente Golfeto, professor de economia e assessor econômico da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), os principais motivos para a mudança foram o crescimento da renda e a instabilidade econômica da indústria, em especial a calçadista. “Com maior renda, a população passa a demandar por mais serviços, quer ir na academia, comer fora, fazer massagens e, com isso, as pessoas vão atrás de oportunidades.” Em relação à instabilidade da economia, Golfeto diz que a tendência do Estado é por uma desindustrialização. “Os empresários sofrem com o câmbio, com os custos elevados dos encargos. Isso desanima o empresário e o funcionário percebe.”
 
Também são apontados como fatores para a migração a terceirização de atividades não essenciais à indústria e a busca por trabalhos mais dinâmicos. 
 
Segundo o levantamento, somente no setor comercial o número de trabalhadores no intervalo de 2000 a 2010 mais que dobrou. Saiu de 8.884 funcionários no começo da década e segui em ascensão para 20.689. Um crescimento de 132%. No mesmo período, a indústria apresentou picos de altos e baixos e só cresceu 31,15% - de 25.675 empregados em 2000 para 33.674 em 2010. “A indústria de calçado tem um trabalho mais repetitivo e fechado e as pessoas parecem que cansaram disso, querem trabalhar com atendimento e estão em busca de um nível cultural melhor. As pessoas têm estudado mais, fazem cursos de qualificação e almejam por melhores salários”, justificou a psicóloga e consultora de recursos humanos, Andrea Haddad Caleiro da RHDP Consultoria.
 
No PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), por exemplo, dos 236 participantes nos últimos dois anos do programa Time do Emprego, oferecido pelo Governo do Estado para candidatos que buscam uma colocação profissional, quase a metade procurava por uma vaga fora da indústria. “Os candidatos que buscam recolocação querem partir para outro ramo, para uma atividade diferente da indústria e muitas vezes com os jovens acontece o mesmo. São poucos os que querem trabalhar em uma fábrica”, disse Maurino Malta, diretor da unidade de Franca.
 

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