A volta das sacolinhas


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Quando a questão das sacolinhas plásticas já parecia tranquila e superada, com as pessoas se acostumando às caixas de papelão, às sacolas recicláveis ou a carregar nas mãos as suas compras, eis que a Câmara Municipal de Franca promulgou uma lei municipal que obrigou os estabelecimentos comerciais a voltarem com as sacolinhas.

Tal atitude, a despeito da polêmica que vem causando entre os que agora se posicionam contra ou a favor da extinção, serve também para mostrar o quanto ainda é tênue a nossa experiência democrática. Se fôssemos mais acostumados à prática natural das discussões públicas, como acontece nos países em que a democracia já é historicamente mais consolidada, talvez conseguíssemos contornar melhor os problemas que envolvem a organização de nossa sociedade, sem a necessidade de leis que vão e voltam e no final acabam causando mais transtornos do que benefícios para o todo social.

Se tivéssemos debatido o tema à exaustão, antes que o acordo firmado entre o Governo Estadual e a Apas (Associação Paulista de Supermercados) entrasse em vigor, talvez a lei elaborada pela Câmara nem fosse necessária. Os vários argumentos em contrário poderiam ter sido melhor analisados pela sociedade, como também aqueles mais favoráveis.

Mas se mesmo após esse debate o governo estadual ainda insistisse no acordo, seria mais lógico que nossa Câmara propusesse o debate no âmbito municipal também antes que ele entrasse em vigor em nossa cidade e não meses depois, quando as pessoas já estavam se acostumando com a situação.

Mas essa é uma situação bem típica de nosso país. Evitamos a discussão e vamos empurrando com a barriga. Por questões históricas e sociológicas, estamos muito mais afeitos a empreender do que a discutir. Vamos fazendo e depois, conforme o resultado dessas nossas ações, vamos dando um jeito para consertar aquilo que saiu errado.

Foi assim com a nossa urbanização, com a saúde, a educação e até mesmo com nossa jurisprudência. Talvez por ter vivido boa parte de nossa história sob a égide de regimes políticos autoritários, da colônia até os dias de hoje, são raros os momentos em que podemos perceber um debate mais aprofundado sobre determinadas questões ou mesmo um planejamento mais detalhado, que permitisse ao país um desenvolvimento melhor estruturado.

De forma geral, parece que nos esquecemos de que a verdadeira opinião pública só emerge de um debate amplo e o mais aberto possível, dependendo basicamente das discussões que acontecem nas escolas, sindicatos, igrejas, bares, na família e, mais modernamente, na mídia.

E talvez seja exatamente por isso que tenhamos esse amontoado de leis criadas no calor do momento e que mais servem para confundir do que para ajudar na aplicação de nossa justiça.

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