Jesus, o bom pastor


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Hoje é dia dos pastores e dia da pastoral

Trabalhar na pastoral de uma comunidade é estar a serviço da vida e liberdade, continuando os atos libertadores de Jesus, o bom pastor. Ele nos mostra o sentido da ação pastoral: dar a vida pelas ovelhas. Vejamos as lições da Palavra de de Deus.

PRIMEIRA LEITURA — ATOS 4
Vimos, domingo passado, que depois de curar o homem coxo desde o nascimento, na porta chamada “Formosa” do templo, Pedro, junto com João, fez um discurso ao povo. Os dois estavam ainda falando quando chegaram os chefes para prendê-los. No dia seguinte foram conduzidos ao tribunal e lhes perguntaram: “com que poder e em nome de quem fizestes isso?”
Nossa leitura começa com a resposta de Pedro à pergunta: “no nome de Jesus que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos”. Por causa da sua mensagem nova e revolucionária a respeito de Deus e do homem, Jesus foi considerado como uma pessoa perigosa e foi excluído da comunidade. Como um leproso, do qual todos devem ficar afastados para não se contaminarem, ele foi conduzido para fora da cidade e o mataram. Deus, porém, julgou de maneira diferente a vida de Jesus, considerou-o um servo fiel, que morreu para realizar seu projeto de salvação do homem.
A fidelidade a Cristo pode deixar também os seus discípulos em situações semelhantes à do Mestre. É doloroso sentir-se abandonado pelos amigos e condenado pelos próprios familiares. Nessas horas é preciso lembrar que a coerência com o evangelho deve superar todos os laços humanos.
Concluindo seu discurso, Pedro afirma que Jesus não se limita a oferecer a salvação espiritual. A cura do coxo é somente um sinal da salvação total que ele comunica ao homem. Da mesma forma que o Mestre, também as nossas comunidades devem dedicar-se à solução de todas as necessidades do ser humano.

SEGUNDA LEITURA
A vida de Deus que o cristão recebe no Batismo é realidade espiritual e misteriosa. Falando com Nicodemos, comparou-a Jesus ao vento, que não se sabe de onde vem e nem para onde vai; existe, constatam-se sinais da sua presença, mas não pode ser visto. O primeiro versículo da leitura (1ª Carta de João, 3) afirma, antes de tudo, que a vida divina é dom gratuito do Pai que não pode ser verificada através dos sentidos, mas a sua presença não pode passar despercebida porque produz sinais evidentes que todos podem constatar. Estes são incompatíveis com a maneira de pensar e de agir de quem vive nas trevas. Por isso os adversários de Jesus não conseguiram reconhecer que nele havia essa vida, da mesma forma que em nossos dias os ímpios não sabem perceber a sua presença nos seus discípulos.
A segunda parte da leitura nos lembra uma verdade muito confortadora: o Pai não espera o dia da nossa morte para comunicar-nos esta vida divina; ele no-la transmite já agora. Entretanto, essa nova realidade que está em nós se manifestará somente quando for afastado o véu que é constituído pela nossa vida terrena. Quando virmos Deus como ele é, quando formos semelhantes a ele, então perceberemos também quem somos nós, agora.

EVANGELHO
O quarto domingo da Páscoa é conhecido como “o domingo do Bom Pastor”, porque, em cada um dos três anos do ciclo litúrgico, é apresentada uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de João, no qual é desenvolvido o tema do “Bom Pastor”. Os evangelhos usam a figura do pastor para revelar a pessoa e a missão de Jesus.
Para o evangelista João, pastor não é aquele que acaricia suavemente a pequena ovelha ferida, mas é o lutador que, ao preço da própria vida, enfrenta todos os que colocam em perigo o seu rebanho. O bom pastor é aquele que oferece sua própria vida pelas ovelhas. A qualificação de “bom” não tem qualquer valor sentimental: não significa doce, suave, que não causa mal algum a ninguém. Significa o pastor, “o verdadeiro”, “o autêntico”, “o corajoso”. Jesus é o verdadeiro pastor, não porque acaricia e beija as ovelhas mas porque o seu amor é tão imenso para com elas, que está disposto a sacrificar sua própria vida por elas.
Para dar um destaque ainda maior à figura do pastor, o trecho continua contrapondo-lhe a figura do mercenário. O mercenário é um empregado que trabalha como assalariado. Para quem tem um coração de mercenário, o mais importante é ater-se às condições mínimas estipuladas em contrato. Quem, ao contrário, tem um coração de verdadeiro pastor, não fica fazendo contas: aonde chegam os meus direitos, onde terminam minhas obrigações, o que estabelecem as regras, quais são os entendimentos acertados com o patrão. Ele segue uma única lei: o amor “louco” que nutre pelas suas ovelhas; e o amor nós o sabemos bem não conhece limites, não se detém diante de qualquer obstáculo, de qualquer perigo, qualquer sacrifício. Aquele que não ama não entende o seu comportamento tão ousado e o considera temerário, imprudente, doido.
Não se trata de um grupo de eleitos, mas de todos os homens. Mesmo aqueles que ainda não conseguiram reconhecer a sua voz um dia a seguirão, “até que haja um só rebanho e um só pastor”. O zelo dos discípulos de Cristo, portanto, deve ser estendido a todos os homens, para que todos possam fazer a experiência da salvação.
A última parte analisa em profundidade o tema da liberdade. Não há verdadeiro amor se não houver liberdade. Nenhum jovem pode obrigar uma moça a amá-lo: ele poderá somente fazer de tudo para conquistar o seu amor. A imposição e o medo nunca redundam em amor verdadeiro. Jesus mostrou o seu amor, porque se doou livremente: “Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir”.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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