‘Ruas fantasmas’ incomodam francanos de vários bairros


| Tempo de leitura: 3 min
SEM ENDEREÇO - Alex Pereira, morador do bairro Engenho Queimado, cujas ruas não têm placas ou sinalização de solo
SEM ENDEREÇO - Alex Pereira, morador do bairro Engenho Queimado, cujas ruas não têm placas ou sinalização de solo

Sempre que o pespontador Alex Martins Pereira, de 34 anos, precisa fornecer ou comprovar seu endereço é uma confusão. Há sete anos, ele mora no Residencial Engenho Queimado, um pequeno bairro com cerca de oito quarteirões próximo ao Jardim Martins. Lá, não há qualquer placa com os nomes das ruas nem sinalização de solo para o trânsito. O bairro também não está cadastrado na maioria dos bancos de dados. Assim, receber correspondências ou visitas exige muita paciência.

Alex conta que comprou seu lote há nove anos e se mudou há sete anos. Desde então, sofre com seu “endereço fantasma”. “Quando preciso comprovar meu endereço, tenho que levar cópia da escritura do imóvel porque nem a CPFL nem a Sabesp colocam o endereço correto. Na minha correspondência, vem que moro na Vila Santos Dumont, que fica bem longe daqui.”

Explicar para os amigos onde fica a casa é outro transtorno para Alex. “Se a pessoa nunca veio aqui, tenho que pedir que ela conte as ruas para saber em qual virar. Descrevo a casa da esquina para ter alguma identificação porque não há nenhuma placa.”

A dona de casa Rosângela Cintra, de 41 anos, sabe bem como é difícil morar em uma rua sem placas. A casa dela fica na esquina das ruas São Paulo e Pará. Um acidente de carro há cerca de dois anos arrancou o poste onde ficavam as placas com os nomes das ruas. “Agora, minha casa parece balcão de informação. Todo mundo para aqui para perguntar que rua é esta.”

Ela já protocolou uma reclamação na Prefeitura, mas até agora nada foi feito. “Eles disseram que iam repor, mas até agora nada.” Como se não bastasse a falta das placas, Rosangela ainda sofre com a ausência da sinalização de trânsito no solo. “Como não tem um pare no chão, muitos motoristas avançam. Os acidentes aqui são constantes. De tanto que batiam no meu portão, acabei construindo uma mureta na calçada.”

Para o mototaxista Robson José Pereira, de 32 anos, a falta de placas é um problema comum em toda a cidade. “Eu ando muito por conta do trabalho e, às vezes, perco um tempo enorme porque não há sinalização ou ela é muito ruim. Há bairros antigos, como a Vila São Sebastião, em que é impossível encontrar onde está a placa com o nome das ruas. Em outros, as placas estão tão velhas que não consigo ler o que está escrito.”

No Parque das Esmeraldas, em muitos pontos, as placas estão desatualizadas. Apesar de as ruas já terem recebido um nome, nas placas o que constam ainda são números. “Fica difícil. Não sei se forneço o número da rua onde moro ou o nome. Recentemente, comprei um móvel que não conseguiam me entregar porque não achavam o endereço”, disse o vendedor Marcelo Silva, morador da rua Benedicta Barboza, antiga rua 116.

LEVANTAMENTO
Alex, Rosângela, Robson e Marcelo não são as únicas vítimas das “ruas fantasmas”. A Prefeitura admite o problema e promete corrigi-lo aos poucos. O chefe de Fiscalização da Prefeitura, Ismael Xavier, disse que hoje não há como saber quantas ruas da cidade apresentam problemas de placas. Para descobrir isso, a administração vai iniciar um levantamento inédito. “Os 18 fiscais do município terão a missão de fazer um mapeamento das ruas e de seus problemas.”

A ideia é que cada um aponte onde é necessário fazer a substituição e a instalação de novas placas. “Com este levantamento, iremos, aos poucos, corrigir o problema”, diz o chefe de Fiscalização.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários