O sorriso é a principal “arma” de conquista para a maioria das pessoas. É ele, geralmente, o responsável por cativar uma amizade, chamar a atenção durante a paquera e até por demonstrar sentimentos como alegria e felicidade. Com toda essa importância é justificável a procura cada vez maior por um sorriso perfeito. Algumas pessoas, no entanto, enfrentam um inimigo poderoso para cuidar dos dentes: o medo da cadeira do dentista.
A boa notícia é que a tecnologia também já invadiu os consultórios odontológicos, embora as novidades lançadas no exterior e nas capitais brasileiras cheguem ao interior a passos lentos. São tratamentos para todo tipo de problema bucal que não exigem afastamento da rotina, causam pouca - ou nenhuma - dor e têm recuperação mais tranquila.
Um presente para os medrosos, ansiosos e traumatizados é a sedação consciente, técnica usada para controlar a ansiedade e o estresse do paciente através do óxido nitroso, o chamado “gás do riso”. O procedimento é opcional e encarece os tratamentos em até 50%, segundo a cirurgiã-dentista de Franca Maria Aparecida Guedine Serafini, que tem 35 anos de carreira e usa o gás em tratamentos há sete anos.
Misturado com o oxigênio -geralmente 30 a 40% de óxido nitroso e o restante de oxigênio -, o gás é aplicado com uma máscara nasal cerca de 10 minutos antes de o procedimento odontológico começar. Primeiro, o organismo recebe oxigênio puro e, aos poucos, o óxido vai sendo misturado ao gás. “Não é uma anestesia, é uma sedação e o paciente permanece acordado e com todos os sentidos o tempo inteiro. Ele recebe, inclusive, a anestesia local, mas fica relaxado, ileso de qualquer tipo de dor”, afirma a dentista. Segundo ela, não há contra-indicações e, cerca de vinte minutos após a máscara ser retirada do rosto, o paciente está apto a exercer suas atividades normais.
A procura pelo óxido nitroso ainda é baixa, de acordo com a cirurgiã. No consultório dela, apenas 10% dos pacientes optam pelo recurso. Durante todo o tratamento, há controle da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e o paciente só é liberado do consultório após um teste de coordenação motora. O único inconveniente é a perda relativa da noção de tempo. Após o término do tratamento, o paciente não sabe se ficou na cadeira 10 minutos ou duas horas.
Ah, e para quem acha que vai sair por aí gargalhando só porque o gás nitroso é chamado de gás do riso, um alerta: para ter esse efeito seria preciso respirar apenas o óxido, sem oxigênio, o que não ocorre nos tratamentos dentários. Para maior segurança, o fluxômetro, aparelho utilizado para liberar os gases, solta no máximo 70% de óxido.
Para Geraldo Marques de Sousa, presidente da APCD em Franca (Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas), o uso do óxido nitroso nos tratamentos dentários é uma tecnologia relativamente nova no Brasil, mas bem vinda, principalmente para aqueles que carregam algum medo ou trauma da cadeira odontológica. “Acredito que a procura ainda não é tão grande porque é desconhecida da maioria das pessoas, mas na Europa e nos Estados Unidos seu uso é bem comum, inclusive em centros médicos”, afirma.
Segundo ele, com o aumento do interesse por parte dos pacientes deve aumentar também a oferta de profissionais que usam a técnica, barateando, inclusive o procedimento a médio prazo.
LASER
O tratamento para o excesso ou a falta de gengiva também passou a contar com um importante “upgrade”. Chamada de cirurgia plástica periodontal, o tratamento pode ser feito com um laser cirúrgico, substituindo o bisturi convencional.
A nova técnica permite, segundo o cirurgião e mestre em periodontia José Henrique Villaça, um nível de recuperação mais rápido e com menos infecção. “Ao contrário do bisturi, o laser corta ao mesmo tempo em que promove a coagulação, evitando sangramento durante a cirurgia e evitando assim uma inflamação. Além disso, ele muitas vezes elimina a necessidade de dar ponto”, afirma o especialista.
O tratamento com o laser, porém, é mais caro do que o com bisturi. Uma frenectomia, por exemplo, que é a remoção do freio labial, com a técnica antiga custaria em torno de R$ 350. Com a nova, pode custar até R$ 500. Em contrapartida, o tempo cirúrgico é até 20% menor com o laser.
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