A Prefeitura de Franca precisa contratar 50 clínicos gerais para atender a população com tranquilidade e reduzir o tempo de espera pelas consultas. Os usuários chegam a aguardar 70 dias para serem atendidos pelo médico, dependendo da UBS (Unidade Básica de Saúde). A estimativa da Secretaria de Saúde é que faltam 75 médicos na rede pública.
Para suprir a deficiência, está sendo preparado um novo processo seletivo para contratar médicos. A previsão do secretário de Administração, Humberto Mazza, é publicar o edital para escolher a empresa responsável pela seleção a partir do dia 10 de maio. Mazza preferiu não estimar quando as contratações serão iniciadas. Enquanto isso, a Secretaria de Saúde tenta vencer a carência com medidas paliativas. “Precisamos desse aporte de 75 médicos. Mas é difícil preencher as vagas. Temos dobrado vínculos dos médicos para tentar suprir ausências por férias, faltas ou eventuais afastamentos”, disse o secretário da pasta, Alexandre Ferreira.
Os clínicos gerais são a “ponte” para a consulta com especialistas ou retirada de medicamentos. Os usuários da rede pública de saúde devem ser consultados primeiro por eles para então serem encaminhados para outros procedimentos. Em alguns bairros, a demanda e falta de clínicos são maiores e a situação está mais crítica. A Secretaria de Saúde fez uma avaliação e detectou que entre os locais com maior urgência de contratação de clínicos gerais estão as UBSs do Brasilândia, São Sebastião e Aeroporto I e III. Na quarta-feira passada, havia vagas com clínicos na UBS da Vila São Sebastião apenas para 4 de julho, daqui a 70 dias. “Precisamos de clínicos para trabalhar também na urgência e emergência no PS, núcleos do Programa Saúde da Família e Samu. Vamos tentar contratar.”
Nas 14 UBSs estão lotados 97 médicos, sendo 40 clínicos. Depois de clínicos gerais, a principal carência é por neurologista. Dos três especialistas contratados, apenas um está na ativa - um está em férias e outro afastado por problemas de saúde.
Segundo Alexandre Ferreira, o tempo médio de espera para consultas com clínico geral em toda a rede tem sido de 20 a 25 dias. Em casos urgentes são feitos encaixes. “Se o paciente está medicado ou em acompanhamento, a consulta pode esperar. Caso tenha passado mal, foi atendido no ‘Janjão’, que referenciou para a unidade básica e tem que marcar, a gente organiza e agenda para dois, três dias”, disse o secretário.
A história da dona de casa Rosemi Peixoto Castro, 42, moradora do Jardim Pulicano, foi diferente. Com dores nos dois joelhos, ela teria de esperar 70 dias, até dia 4 de julho, para ser consultada pelo clínico geral na UBS da Vila São Sebastião e então ser encaminhada para o ortopedista.
As dores começaram a perturbar Rosemi na sexta-feira passada. No domingo, esteve no Pronto-socorro “Janjão”, o médico lhe receitou analgésico e a orientou a ser consultada pelo clínico geral na unidade básica. Segunda-feira, Rosemi esteve na UBS da Vila São Sebastião e foi informada que só teria vaga para 29 de maio ou 26 de junho. Indignada, ela desistiu de marcar a consulta. Na última quarta, as dores voltaram e Rosemi ligou novamente na unidade. Foi informada que só conseguiria atendimento dia 4 de julho. Nova desistência. “Todo mundo fica revoltado com essa demora. Não estou aguentando nem agachar de tanta dor. A gente marca consulta para depois de meses, mas nem sabe como vai chegar até a data.”
O secretário de saúde, Alexandre Ferreira, disse que além da falta dos 50 clínicos gerais, a rede registrou aumento da demanda. Em 2010 foram 1.039.012 consultas médicas e no ano passado 60 mil a mais. “As pessoas que pagam convênios particulares estão procurando a rede pública. Hoje 40% do nosso atendimento é a paciente que tem convênio, mas como alguns deles cobram taxas de exames, guias, o chamado fator moderador, os usuários migram para as unidades básicas.”
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