Acordar pela manhã, encarar o trânsito, rotina familiar e suportar um ambiente repleto de competição e pressão no trabalho parece ser um roteiro comum para a maioria das pessoas hoje em dia. Apesar desta aparente afinidade com o cotidiano agitado, é cada vez mais frequente vê-las irritadas, com a autoestima comprometida, indispostas para o sexo e sem se darem conta da chegada de seu mais novo companheiro: o estresse, que é na verdade, as reações do corpo e da mente frente a estímulos negativos recebidos do meio externo ou interno, como situações de perigo real e pressão psicológica. Insônia, baixa imunidade e apatia podem fazer parte do pacote.
Mesmo responsável pelos sintomas citados, a função primordial deste efeito é essencial para a sobrevivência. Um estudo da universidade norte-americana Rockefeller,afirma que em estado de estresse, as glândulas suprarrenais produzem hormônios, como a adrenalina, capazes de aumentar os batimentos cardíacos gerando mais energia e fazendo com que a pessoa preste mais atenção em tudo ao seu redor. Perfeito em uma situação de perigo mas que em doses diárias, gera um efeito contrário desencadeando quadros de ansiedade e depressão.
De acordo com a psicóloga clínica e presidente do Centro de Estudos Psicanalíticos de Franca, Gisela Bittar, é importante identificar o foco do estresse (veja no quadro) e buscar modos criativos para amenizá-los. Em casos mais graves, Bittar afirma ainda que a melhor decisão é procurar ajuda profissional. “O tratamento psicológico pode ajudar o sujeito a se conhecer melhor, compreender seus limites e conviver com as tensões e conflitos da vida. O desenvolvimento psicológico permite avaliar com maior clareza os valores impostos pela sociedade e as escolhas que realmente se quer fazer. Assim, o indivíduo pode decidir sobre o que priorizar e estabelecer critérios para viver de acordo com seu próprio desejo e possibilidades.”
Outro ponto destacado por ela é a atenção que os pais devem ter com o comportamento dos filhos, pois é percebido um aumento de pacientes infantis nos consultórios. “As crianças hoje também vivem em um ritmo muito estressante, com várias atividades extracurriculares e cobrança por rendimento. Além disso, um ambiente familiar conturbado gera um nível de angústia que as leva ao estresse. É importante que os pais observem comportamentos característicos do estresse, como irritabilidade, queda no rendimento escolar e distúrbio do sono, que podem ser encarados como manha.”
Exemplos das causas de estresse
Acontecimentos críticos: mudanças bruscas que exigem uma reação rápida de reestruturação, como filhos, divórcio, perda do emprego, etc.
Acontecimentos traumáticos: evento inesperado que impossibilita o indivíduo assimilar psiquicamente a experiência, como acidente, morte trágica de ente querido, violência e outros. A angústia gerada por esses acontecimentos pode continuar por um período e criar um quadro patológico de estresse pós-traumático.
Acontecimentos cotidianos: desgastantes cotidiano que prejudica a qualidade de vida e bem-estar, como problemas de saúde, financeiros, familiar, excesso de trabalho e trânsito intenso. Cobrança da sociedade ou de si mesmo por sucesso profissional, amoroso, in-telectual, físico ou todos juntos também levam o indivíduo à exaustão, ao estresse.
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