Professores da ‘Torquato Caleiro’ protestam contra o ensino integral


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RECEOSOS - Educadores em frente à instituição de ensino no Centro: para eles, implantação do ensino médio integral pode gerar demissões, já que as aulas do fundamental deixariam de ser oferecidas
RECEOSOS - Educadores em frente à instituição de ensino no Centro: para eles, implantação do ensino médio integral pode gerar demissões, já que as aulas do fundamental deixariam de ser oferecidas

A notícia de que a Escola Estadual “Torquato Caleiro” foi pré-selecionada pela Secretaria da Educação para fornecer ensino integral a partir do próximo ano gerou revolta em parte dos professores da instituição. Os educadores temem não conseguir remoção para outras escolas e ficarem desempregados. A mudança seria a implantação do ensino médio integral. Com isso, as aulas do ensino fundamental (para alunos do 6º ao 9º ano) seriam encerradas.

Uma das mais tradicionais escolas de Franca, localizada no Centro, a instituição estadual abriga aproximadamente dois mil alunos, divididos em três períodos. Com 15 salas de aula, o ensino fundamental tem um total de 525 alunos.

Os professores foram enfáticos e demonstraram descontentamento com a possível mudança. Educadora há 27 anos, Antônia Irene Marcantonio, 45, diz estar entristecida com a implantação do ensino integral. “A medida vai desestruturar não só os professores, como alunos e famílias. Como será daqui para frente? Conviveremos com o risco do desemprego, caso não consigamos uma remoção para outra escola”, disse a professora, que já foi aluna da “Torquato Caleiro”. “Minha formação foi aqui, em 1984. Sonhava em me aposentar nesta escola.”

O professor Paulo Alexandre Mozzeti, 37, reclama que a notícia pegou a todos de surpresa. “Ficamos triste com essa possibilidade. É um projeto antidemocrático, onde nós, educadores, nem os pais fomos ouvidos para a implantação do ensino médio integral. É uma escola de tradição, que não pode servir de laboratório.” Os professores disseram que foram comunicados sobre a possibilidade de a escola oferecer ensino médio integral em 2013 através de um bilhete enviado pela direção da escola.

Entre os pais de alunos, as opiniões estão divididas. A dona de casa Aline Imaculada, 31, não concorda com a mudança. “Custei para arrumar uma vaga para minha filha estudar aqui. Ela não quer sair de jeito algum”, disse. A filha Larissa Santos está no oitavo ano do ensino fundamental.

Já o técnico de enfermagem Reginaldo Moreira Lima, 43, acredita que a implantação do ensino integral na instituição é um grande avanço. “O ensino será mais fortalecido. Os alunos terão a ganhar em conhecimento com mais um período na escola.” Lima tem dois filhos estudando no colégio.

Em nota encaminhada ao Comércio, a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que ainda não há definição sobre a mudança no funcionamento da escola. Segundo a nota, “quando há proposta de implementar o ensino médio integral em uma unidade, a comunidade escola é sempre consultada e, dessa maneira, a implantação contempla não só a análise de estudo realizado pela Secretaria da Educação, mas também a aprovação por parte das famílias e professores”.

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