Nada! Absolutamente nada se faz necessário acrescentar ao necrológio escrito pelo amigo Luiz Neto, publicado neste Comércio, edição de 20 de abril, sobre a vida e a personalidade marcante de Quequer Luiz Bortolato, falecido no último dia 19, aos 69 anos. Ele usou a gramática de jornalista competente e o vocabulário do coração para traçar, aos leitores, o perfil do extraordinário joalheiro e, principalmente, do homem sensível, leal e amigo que foi Quequer Bortolato, um homem daqueles que deixam o Criador feliz com sua criação.
Sinto-me, porém, no dever de prestar, também, meu testemunho sobre a pessoa e a personalidade de Quequer, ‘Vô Quequer’, como era carinhosamente chamado. Minha convivência com ele não foi longa. Conheci-o em 2006 quando seu neto Yuri começou a namorar minha primogênita Rafaella; namoro, aliás, que acabou em casamento. Os encontros não foram muitos, mas foram suficiente para conhecer o grande caráter de Quequer. No primeiro, pude constatar que se tratava de ser humano especial. Já na época ele lutava bravamente contra enfisema pulmonar, mas estava sempre de bom humor, não obstante as limitações físicas impostas pela doença.
Minha esposa e eu acabamos nos tornando amigos fraternos dele e de sua querida D. Maria, ‘Vó Maria’, companheira de mais de 50 anos, sem dúvida, também seu braço direito. Quequer era totalmente desapegado das coisas materiais, qualidade, aliás, própria dos grandes artistas. Realmente era autodidata, na mais exata conceituação do termo. Não tinha assunto que ele não enfrentasse com competência. Evidentemente se notabilizou como joalheiro – e dos melhores –, profissão que escolheu ainda na adolescência.
Não fez carreira de sucesso como joalheiro e designer de jóias no exterior porque não quis deixar a Franca do Imperador. As oportunidades foram várias. Ele preferiu, a meu ver sabiamente, viver uma vida mais modesta com a esposa e filhas. Aqui permaneceu fazendo jóias com raro talento. Ouvi de muitos outros joalheiros que Quequer fazia diferente. As peças por ele esculpidas tinham sempre um algo a mais, um detalhe, que fazia toda a diferença.
Foi um homem íntegro na melhor acepção do termo, porém, humilde e destituído de orgulho e vaidade. Encarava com bastante moderação e reserva os elogios que constantemente recebia pela excelência dos seus trabalhos – ele sabia claramente que o orgulho e a vaidade são inimigos da virtude.
Quequer partiu como sempre viveu: discretamente. Sua viagem deixa em todos, familiares, amigos e clientes, uma imensa saudade. Viajou o homem, mas ficaram suas inigualáveis criações e seus preciosos exemplos que, certamente, o eternizarão.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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