Indústria calçadista


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A indústria calçadista de Franca parece estar em alta. Como se não bastasse o programa Brasil Maior do governo federal, que busca desonerar alguns setores de nossa indústria, entre eles o calçadista, agora foi a vez do governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 12% para 7%.

Além disso, depois de quatro anos, a Agabê começa a retomar a produção de calçados na cidade, inclusive com planos de expansão. A marca, que já foi uma das maiores e mais importantes da cidade, está produzindo, desde fevereiro, 50 pares de botas por dia em seu antigo prédio.

Sem dúvida nenhuma, são boas notícias para a cidade. Empolgação, pelo menos, não está faltando. Os empresários falam até em um aumento expressivo no número de empregos. Segundo um deles, que falou em nome da categoria, no prazo de três anos deverão ser gerados mil empregos diretos e mais mil indiretos, números bastante significativos no atual cenário econômico do Brasil e do mundo.

Mais uma vez, porém, é preciso insistir que nossas empresas não podem apenas contar com as benesses do Estado, a despeito de sua importância para o atual contexto socioeconômico do país. Para além da ajuda governamental, é importante, também, promover as mudanças necessárias no pensamento e nas práticas empresariais da cidade e da região, bem como de todo o setor calçadista brasileiro, sabidamente atrasado e distante das modernas abordagens de gestão.

Para se ter uma idéia do quanto nossas empresas não estão dando a devida atenção a esses novos processos, conceitos, sistemas e práticas administrativas, é só dar uma olhada na escassez de mão de obra que acomete a cidade, justamente na tão conhecida capital do calçado masculino brasileiro. Se lembrarmos que Franca forma trabalhadores para esse setor há mais de 60 anos, fica fácil perceber que aquela tradição que passava de pai para filho não está mais se reproduzindo.

Como a cidade está crescendo, é de se deduzir que nossos jovens estão partindo para outros desafios. Talvez cansados dos baixos salários praticados por essa indústria, talvez pelo acesso mais facilitado à educação, o que lhes permite almejar carreiras mais promissoras, o fato é que os novos trabalhadores estão abandonando a profissão de sapateiro na mesma proporção em que a cidade está diversificando sua economia.

O orgulho de ser sapateiro, nesse sentido, parece estar perdendo seu brilho. E se isso estiver realmente acontecendo, é bom que nossos empresários reflitam sobre isso e comecem a pensar nos motivos que estão nos levando a essa escassez de mão de obra, já que as relações trabalhistas são também relações de troca.

O problema é que só realizamos as trocas quando nelas percebemos algum ganho, seja em termos de status, de poder, de dinheiro ou de satisfação. É bom pensar sobre isso.

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