Santa Casa outra vez


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Voltamos outra vez ao assunto Santa Casa. Se não fosse um tema tão delicado, com certeza já estaria ficando chato. No final do ano passado, já advertíamos nesse mesmo espaço que a euforia por conta dos 2 milhões de verba parlamentar indicada pelo deputado estadual Gilson de Souza, e pela realização de um mutirão para diminuir a fila de cirurgias eletivas, seria apenas uma alegria passageira de Natal. Ponderamos, também, que mesmo as promessas feitas na época pelo coordenador regional de Saúde do Estado, Affonso Viviani, de que o governo estaria estudando a possibilidade de aumentar o teto de cirurgias a partir de fevereiro, e também estaria preparando um projeto para recuperar hospitais filantrópicos, não poderiam ser recebidas com muito entusiasmo e expectativa.

E, para variar, infelizmente, estávamos certos.

Mal estamos findando o quarto mês do ano e lá está a Santa Casa outra vez, envolta em um significativo déficit mensal e sem saber o que fazer com os 60 milhões que acumula de dívidas.

Dessa vez, os diretores do hospital foram até a Câmara buscar o apoio dos parlamentares para sensibilizar a Prefeitura de que o aumento do repasse municipal é imprescindível para que o hospital continue funcionando com um mínimo de qualidade. Atualmente, Estado e município investem juntos R$ 381 mil por mês, diante de um déficit mensal de cerca de R$ 2,5 milhões por mês.

A reunião, como sempre, foi proveitosa. Todos os vereadores presentes obviamente se sensibilizaram com o problema. O presidente da Câmara, inclusive, manifestou a intenção de destinar a Santa Casa o valor de R$ 1 milhão, referente à previsão de economia da Câmara nesse primeiro semestre.

Mas o problema está justamente nesse ponto. Em todas essas reuniões, vereadores, a Prefeitura e o Estado sempre se sensibilizam com a situação. A solução que encontram, porém, é sempre paliativa. Um dinheirinho aqui, uma indicação de verba parlamentar, uma economia da Câmara e assim por diante. O que se consegue com isso, por consequência, é apenas empurrar o problema para frente, à espera da próxima reunião e do próximo aperto.

Mas já está na hora de se acabar com isso. Sabemos que o problema não é de fácil solução, mas um caminho mais definitivo precisa ser encontrado. Talvez ele esteja na campanha ‘Mais Verbas para a Saúde’, lançada pela OAB, cujo objetivo é fazer com que a União destine 10% do PIB para a saúde, ao contrário dos 3% que hoje são repassados.

Mas talvez ele esteja mesmo é em uma ação política mais efetiva de toda a sociedade. Se a saúde é um direito garantido pela Constituição, não há porque os diretores da Santa Casa continuarem percorrendo as instâncias governamentais com o pires na mão, como se tivessem pedindo uma esmola.

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