A mão invisível do imposto está por toda parte. Se você lê estas linhas por meio do papel impresso, saiba que por trás delas há uma quantia deixada antecipadamente para o governo. A começar pela tinta que dá vida a estas palavras, tudo o mais que entra na confecção de jornal sofre tributação. E das brabas (pode ser com V, também).
Caso você esteja lendo pelo meio virtual, fique sabendo que há imposto a ser pago. A mensalidade cobrada pelo uso da linha telefônica reserva para o fisco uma parcela considerável. É, internet tem imposto! Mais ainda. Sabe aquele simples blablablá pelo celular? Se for feito através do pré-pago, o tributo acaba sendo recolhido antes de você falar.
Tirando o ar que você respira, tudo tem imposto. Alguns tributos são pagos previamente. Outros podem ser quitados no final do mês. Agora, o ajuste final do feroz acontece no último dia de abril de cada ano. Faltam apenas seis dias para chegar a hora de o Leão beber água. Ele não corre, não faz nada. Só espera pelo seu dinheiro.
A Receita Federal tem tudo garantido. Sabe qual foi a sua renda assalariada, em 2011. Aliás, ela tem acesso mensalmente às informações do que ficou retido na fonte. Do Leão, nada escapa. Bom, a não ser aquele dinheiro sujo transportado na cueca, na mala ou outros lugares mais. Esse costuma passar batido. O faro leonino não o alcança.
No entanto, o dinheiro de quem trabalha é cheirado todos os meses pelo Leão. Dependendo da quantia a ser recebida, uma parte é engolida na fonte mesmo. Para escapar de ter imposto retido mensalmente, o assalariado precisa ganhar por volta de dois salários mínimos. Mais que isso, o fisco já abocanha uma parte.
O ditado modificado se faz presente: se correr, o Leão pega; se ficar, ele come. Quanto mais o assalariado ganha, mais tem de pagar IR (Imposto de Renda). O dilema se instala. Caso ganhe pouco, a pessoa se livra do tributo, mas passa a ter uma péssima condição de vida. Redobrando o labor, para ter mais rendimentos, automaticamente paga IR.
Tributar o trabalho é uma forma perversa de arrecadação. Faz tempo que se fala em reforma tributária, mas tudo fica no discurso político pré-eleitoral. Depois, o rolo compressor continua esmagando o assalariado. Por sinal, qualquer benesse nesta área acaba retroagindo de maneira inexorável para o bolso de quem menos ganha.
Há meio século, o salário mínimo não chegava a Cr$ 9.000,00. A coluna Há 50 anos deste Comércio trouxe, dia desses, a informação: ‘Termina no próximo dia 30 o prazo para a apresentação das declarações do Imposto de Renda. Estão obrigadas a apresentar declarações as pessoas físicas que tenham recebido rendimentos brutos em soma superior a Cr$ 336.000,00 durante o ano de 1961’. Feita as contas, quem ganhava até um pouco acima de três salários estava livre do Leão. Hoje, com salário mínimo de R$ 622,00, quem recebe por volta de R$ 1.500,00 mensais já deixa uma lasca para o IR. Detalhe, em 2013 a mordida só tende a crescer.
Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.