No último dia 18 de abril foram lembrados o nascimento de Monteiro Lobato, há 130 anos, e o Dia Nacional do Livro Infantil, obviamente em homenagem a esse grande personagem de nossa história.
Escritor de talento, criou personagens que encantaram gerações, abrindo as portas da literatura e do conhecimento para milhões de crianças brasileiras. Insatisfeito com as traduções de livros infantis europeus, ele misturou suas criações com todos os elementos da literatura universal, fundando aventuras bem brasileiras, mas com resquícios de mitologia grega, quadrinhos e cinema. Em suas histórias do Sítio do Picapau Amarelo, Peter Pan brinca com Narizinho e o Saci ensina truques a Chapeuzinho Vermelho no país maravilhoso de Alice.
Mas ele não se limitou apenas à literatura infantil. Mesmo polêmico, brilhou também entre os adultos. Observador atento de nossas mazelas, intrometeu-se em vários setores da vida pública, criticando e discutindo nossas políticas e nossa miséria. Foi editor de sucesso e fundador da Companhia Editora Nacional. Criou, também, o personagem Jeca Tatu, o símbolo do caipira brasileiro e de suas agruras, depois brilhantemente imortalizado no cinema por Amácio Mazzaropi.
Apesar de tudo isso, se hoje estivesse vivo, talvez não ficasse tão feliz com essa homenagem. Pelo menos se tivesse acesso aos resultados da pesquisa ‘Retratos da Leitura no Brasil’, realizada pelo Instituto Pró-Livro e executada pelo Ibope.
De acordo com o estudo, o que o brasileiro mais gosta de fazer em seu tempo livre é assistir televisão, seguido de ouvir música ou rádio, descansar, reunir-se com amigos e com família, assistir filmes em DVD, sair com amigos e, finalmente ler. Se 85% dos entrevistados escolheram ver televisão, apenas 28% preferiram a leitura, considerando-se uma média de 5,3 atividades por entrevistado. E é importante frisar que essa opção abrangia a leitura de jornais, revistas, livros e textos na internet.
Nos últimos 3 meses, segundo a pesquisa, a média de livros lidos por todos os entrevistados foi de 1,85, sendo que 0,82 foi a média de livros inteiros e 1,02 foi a média de leitura de apenas partes de livros. Na edição anterior, a média de livros lidos pelos entrevistados foi de 2,4 livros, o que mostra um declínio da leitura entre nós brasileiros.
Além disso, o que os entrevistados mais leem são jornais, revistas e livros solicitados pelas escolas, aqueles que muitos alunos acabam lendo por meio do resumo colhido na internet. Em relação às bibliotecas, apenas 7% dos entrevistados costumam utilizá-las frequentemente.
A pesquisa, pouco animadora, é um indicador também de nosso atraso em termos de representatividade política. Sem leitura, sem informação, sem reflexão, não há condição de exercitar o voto com consciência de estar escolhendo cidadãos probos e capazes. Os escândalos que se sucedem a todo momento, e estão presentes nos jornais e revistas que a maioria dos brasileiros não lê, dão bem uma mostra de quanto os corruptos podem contar com a ignorância dos que continuam a elegê-los a cada mandato, quando não são cassados, coisa muito difícil de acontecer.
Autor da frase ‘Um país se faz com homens e com livros’, Lobato, vivo fosse, ficaria estarrecido com o presente momento de nossa história.
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