Mais empregos para Franca


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Boa notícia para Franca. Dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes a março aponta a cidade como um dos principais centros urbanos brasileiros no que diz respeito à geração de empregos.

Fomos a melhor cidade do interior e ficamos à frente de várias capitais do País. Segundo o Caged, criamos 2.064 vagas somente no mês passado e 7,4 mil ao longo do trimestre. Dentre essas vagas conquistadas em março, a indústria, impulsionada pela cadeia produtiva do calçado, foi responsável por 1.854 novos postos, apresentando um crescimento em relação ao mesmo período do ano passado.

Talvez esses números já possam ser considerados um reflexo das ações implementadas pelo programa Brasil Maior, que visa estimular e desonerar alguns setores de nossa economia, entre eles o calçadista. De qualquer forma, é melhor comemorar com moderação, pois todos sabem que há uma sazonalidade nas contrações e demissões desse setor.

No final do ano ocorrem as demissões. No começo, vêm as contratações. Todo ano é assim. O saldo, obviamente não é zero, como demonstra os números da Caged. Em termos percentuais, a cidade conquistou mais postos em 2012 do que em 2011, se comparada com o restante do País. No entanto, não deixa de produzir um efeito tipo sanfona, esticando em um momento e encolhendo no outro.

Porém, já dissemos várias vezes nesse mesmo espaço que o problema é mais embaixo. Nossa indústria ainda não fez a lição de casa e como disse o especialista e consultor da área calçadista, Zdenek Pracuch, em sua coluna publicada por este Comércio na terça-feira, 17/04, o que mais pesa contra a indústria calçadista é a acomodação de seus empresários, seja em Franca, no sul, Birigui, Jaú ou Nova Serrana.

De forma geral, muitos deles ainda continuam produzindo com tecnologia e métodos de gestão já bastante ultrapassados. Em um mundo dinâmico, em que o foco de uma empresa já não pode estar mais em sua capacidade ou estratégia de produção, mas sim nas circunstâncias e nas expectativas de seu público-alvo, é de se esperar que essa forma acanhada de agir continue prejudicando o desenvolvimento de nossa principal indústria. E talvez acelerando o seu retrocesso, pois a acomodação é a pior inimiga da inovação.

Nesse sentido, esperamos mais uma vez que nossas indústrias se conscientizem desse problema e aproveite o bom momento para investir nas mudanças que se fazem necessárias para competir com mais inteligência no competitivo mercado contemporâneo.

Apenas comemorar esse bom momento não vai adiantar, apesar de ser importante e necessário para massagear o ego da cidade. Mas se nada for feito internamente nas empresas, no final do ano estaremos novamente reclamando a perda de empregos, a entrada de produtos estrangeiros e mais ações protecionistas de nosso governo.

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