Esse é o tema central da palavra de Deus no terceiro domingo do tempo pascal que estamos vivendo!
Ontem foi a vez dos apóstolos e hoje é a nossa vez de testemunhar que Cristo Ressuscitou e o que experimentamos desse extraordinário acontecimento. A ressurreição de Cristo muda nossa vida, ilumina nossa história pessoal e comunitária e abre as portas da eternidade, pois, Cristo ressuscitando anuncia a nossa ressurreição. Qual a mensagem que Deus nos revela através da sua Palavra neste dia?
PRIMEIRA LEITURA (AT 3,)
A primeira leitura é um trecho do capítulo 3 dos Atos dos Apóstolos. Depois de ter curado um coxo que pedia esmola na porta do Templo chamado “Formosa”, Pedro pronuncia um discurso do qual é extraída a leitura de hoje. Ele continua afirmando que o que aconteceu é resultado da fé em Cristo e, portanto é um sinal evidente que Cristo está vivo. Nos seus discursos, Pedro repete continuamente, como se fosse um refrão: “Nós somos testemunhas!”. Ele e os outros apóstolos sentem-se testemunhas da ressurreição porque as obras que realizam provam, de forma inquestionável, que Cristo está vivo.
O que fazia Jesus quando estava neste mundo? Pregava o evangelho e agia em favor dos homens. Ensinava o caminho da vida e curava os doentes, dava de comer a quem estava com fome, recuperava o que estava perdido... Ora, se todas essas coisas continuam acontecendo hoje, com a mesma força e com o mesmo poder, é sinal que Jesus está vivo, que continua agindo e que o seu Espírito está presente no mundo.
O segundo elemento importante do discurso de Pedro são os títulos que atribui a Jesus: “Servo fiel a Deus, santo, justo, guia para a vida”. Não se trata de simples títulos honoríficos. São nomes com os quais os primeiros cristãos sintetizavam sua fé no Ressuscitado. O amor de Deus sempre consegue vencer, sempre consegue produzir bons resultados até das piores coisas que os homens praticam. Ao longo do nosso dia a dia também nós nos deixamos abater diante do triunfo do mal. O nosso desencanto mostra que a nossa fé ainda está muito cambaleante.
A última parte da leitura é um convite para a conversão. O erro, o pecado (que Pedro atribui à ignorância) nunca terá a vitória final na vida do homem. A cura do coxo é um sinal de que até mesmo a pessoa mais aleijada, mais paralítica, sempre pode encontrar o caminho de volta guiada pelo Espírito do Ressuscitado. E o caminho que Pedro propõe aos seus ouvintes para “retomar o rumo” é este: antes de tudo é preciso tomar consciência dos males cometidos e, em seguida, mudar de vida. Seu convite não é dirigido só para os que mataram Jesus, mas a cada um de nós.
SEGUNDA LEITURA (I JO 2,)
A segunda leitura é da primeira Carta de São João no capítulo 2. Esse trecho da palavra de Deus ensina sobre a fé e o “testemunho” que ela exige de cada um. Não é pelo estudo, apenas pelo estudo da Segunda Escritura que seremos salvos e, sim, quando o nosso conhecimento é traduzido em sinais de fé, isto é, nas obras. Nas comunidades às quais João escreve a sua carta há alguns que se julgam iluminados e sábios e afirmam que não precisam da redenção de Cristo, porque já não é mais possível cometer pecados.
Estes afirma o Apóstolo são mentirosos, enganam a si mesmos e eles não têm dentro de si a verdade. O cristão deve reconhecer a própria fragilidade, deve saber que, mesmo depois de ter sido perdoado, continua fraco e sujeito ao pecado. A salvação, não é exclusiva do pequeno grupo dos cristãos, mas se destina aos homens do mundo inteiro.
A segunda parte da leitura é dirigida àqueles que afirmam ter conhecido Deus, mas depois não observam os seus mandamentos. A fé em Deus, ensina João, deve manifestar-se na vida prática: somente “aquele que observa a sua palavra, tem em si, com perfeição, o amor de Deus”.
EVANGELHO (LUCAS, 24)
A ressurreição de Jesus é o ponto central de toda a Bíblia e do projeto de Deus: ‘São essas as coisas de que falei quando ainda estava com vocês: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’. Jesus é o grande intérprete da Bíblia, e é a partir dele que toda a Escritura (Lei-Profetas-Salmos) adquire sentido e coesão. Tal é o sentido da expressão “Jesus abriu os olhos dos discípulos”. Ele, ressuscitou, é a chave de leitura de toda a Bíblia.
Jesus ressuscitado interpreta a Escritura aos discípulos: “Assim está escrito: o Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia”. Esta frase é uma síntese do capítulo 53 de Isaías, particularmente do v. 10 (“O servo conhecerá seus descendentes, prolongará sua existência e, por meio dele, o projeto de Javé triunfará”) acoplada a Oséias 6,2 (“... no terceiro dia nos fará levantar, e passaremos a viver na sua presença”).
O evangelho de hoje termina com uma afirmação de Jesus: “Vocês são testemunhas de tudo isso”. O tema do testemunho dos discípulos é muito importante para Lucas, pois é a partir disso que o anúncio do ressuscitado chegará, nos Atos dos Apóstolos, aos confins do mundo. Testemunho e universalidade da salvação são a bagagem e tarefa dos que acreditam em Jesus ressuscitado: “No nome do Messias serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”. É assim que seus seguidores darão continuidade à história e sociedade novas trazidas por Jesus: proclamando que a sociedade injusta não conseguiu anular o processo de vida e liberdade que ele trouxe.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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