A plena navegação do rio Tietê é vital para a logística do transporte no estado de São Paulo. Mais do que isso, é fator de integração econômica do Interior Paulista, principal mercado consumidor do País, com a América do Sul
O estágio atual e o futuro dos investimentos na Hidrovia Tietê-Paraná serão um dos pontos importantes a serem discutidos esta semana, em São Paulo, no Fórum de Infraestrutura na América do Sul, a ser realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Será discutido como a hidrovia poderá reduzir o volume do tráfego de cargas nas estradas e proporcionar ganhos no meio ambiente, logística de transporte, economia e até na saúde da população paulista, responsável pela produção de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
A hidrovia Tietê-Paraná será considerada no fórum parte de um pacote de obras previstas para os próximos anos com o objetivo de integração da América do Sul e que conta com a participação de 12 governos e representa cerca de 21 bilhões de dólares. Esse conjunto de obras compreende pontes, túneis, anéis viários, linhas de transmissão, dragagem de rios, gasodutos, hidrovias, rodovias e ferrovias. A hidrovia faz parte dos 31 projetos que compõem a Agenda de Projetos Prioritários de Integração (API), do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
A estimativa é que num primeiro momento sejam construídos 2,4 quilômetros de pontes; 14 quilometros de túneis; 57 quilômetros de anéis viários; 360 quilômetros de linhas de transmissão; 379 quilômetros de dragagem de rios; 1.500 quilômetros de gasodutos; 3490 quilômetros de hidrovias; 5.142 quilômetros de rodovias; e 9.739 quilômetros de ferrovias.
Em 2011, passaram pela hidrovia Tietê-Paraná cerca de seis milhões de toneladas de carga com milho, soja, óleo, cana-de-açúcar, madeira, carvão e areia. O sistema possui 2.400 quilômetros de vias navegáveis de Piracicaba e Conchas até Goiás e Minas Gerais (ao norte) e Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai (ao sul). O sistema interliga os cinco maiores estados produtores de soja do Brasil (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná).
Investimentos
Entre as melhorias previstas no percurso do rio Tietê, destacam-se a construção das barragens de Santa Maria e de Jumirim até Salto (cinco barragens com eclusas) e a ampliação e proteção de vãos de pontes (SP-255, SP-333, SP-425, ferrovia Ayrosa Galvão, SP-191, SP-147 e SP-595). O objetivo é reduzir a viagem em até duas horas por ponte e diminuir em cerca de 20% os custos de transportes. Nos planos, a modernização dos terminais hidroviários de Araçatuba e Anhembi; serviços de dragagem e retificação dos canais de Conchas, Anhembi, Igaraçu do Tietê, Ibitinga, Nova Avanhandava e Promissão; melhorias das eclusas de Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos, com instalação de atracadouros de espera. O aprimoramento da navegabilidade da hidrovia do Tietê permitirá ainda nesta década que ela atraia cerca de 18 milhões de toneladas, equivalente ao triplo do movimento atual.
Obras
Em seu trecho paulista, a Hidrovia Tietê-Paraná possui 800 quilômetros de vias navegáveis, dez reservatórios, dez barragens, 23 pontes, 19 estaleiros e 30 terminais intermodais de carga. A infra-estrutura, administrada pelo Departamento Hidroviário, da Secretaria Estadual de Logística e Transportes, transformou o modal em alternativa econômica para o transporte de cargas, além de propiciar o reordenamento da matriz de transportes da região centro-oeste do Estado de São Paulo e impulsionar o desenvolvimento regional de cidades como Barra Bonita e Pederneiras. Existe um aporte financeiro do governo federal no projeto de dinamização da hidrovia. Destacam-se as seguintes ações:
• Eclusa da Penha: O projeto executivo está concluído e a avaliação do impacto ambiental em elaboração, com previsão de abertura de licitação em 2012. O custo da obra é estimado em R$ 80 milhões.
• A meta da eclusa é aumentar a expansão navegável do rio Tietê em 14 quilômetros, o que resultará em 55 quilômetros navegáveis na região metropolitana de São Paulo.
• Outro objetivo é facilitar o transporte de sedimentos da dragagem da calha do rio Tietê, essencial para manter a capacidade de vazão e retenção de águas nos períodos de cheias. Com a dragagem, o reservatório resultante da implantação da eclusa terá capacidade de reter até 3,5 milhões de metros quadrados de água. Além de incentivar o transporte de cargas como lixo doméstico, areia, pedras e materiais básicos usados na construção civil.
Sustentabilidade
Com a utilização plena do rio como meio de transporte, prevê-se que em 30 anos cerca de 100 milhões de toneladas de carga sejam retiradas das rodovias. O ganho ambiental se dará com a redução de 16 mil toneladas de hidrocarburetos, 50 mil toneladeas de monóxido de carbono e 280 mil toneladas de óxidos de nitrogênio, gases causadores do efeito estufa.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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