Conheça a vida de quem depende de uma máquina de hemodiálise


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DIFÍCIL ROTINA - Pacientes têm o sangue filtrado nas máquinas da Santa Casa de Franca
DIFÍCIL ROTINA - Pacientes têm o sangue filtrado nas máquinas da Santa Casa de Franca

O sapateiro aposentado Lucídio Aparecido Viana, de 45 anos, tem sua vida ligada a uma máquina. Desde os 19 anos, quando descobriu que seus rins não estavam mais funcionando como deveriam, ele não pode tomar bebidas alcóolicas nem comer alimentos gordurosos ou ricos em sal. Também está proibido de viajar por mais de dois dias e de carregar peso ou fazer grande esforço físico. Há 26 anos, Lucídio depende das sessões de hemodiálise para sobreviver.

Como ele, outras 200 pessoas em Franca precisam dessas máquinas que funcionam como um rim artificial, filtrando o sangue. Sem elas, todas já estariam mortas. Segundo o nefrologista do Centro de Hemodiálise da Santa Casa de Franca, Francisco Tosi Maniglia, são pacientes com insuficiência renal crônica ou aguda, na maioria dos casos causada por diabetes ou hipertensão. “Essas duas doenças são silenciosas e vão causando danos ao organismo. Muitas vezes, quando o paciente é diagnosticado já é tarde. O rim é um dos órgãos mais afetados.”

Lucídio sabe bem o que isso significa. Ele disse que nunca percebeu nenhum sintoma da hipertensão. “Só comecei a desconfiar que algo não ia bem quando minhas pernas incharam e passaram a doer. De tanto minha mãe me encher, acabei procurando um médico e ele recomendou as hemodiálises.”

São três sessões de quatro horas por semana. Numa sala com TV e camas espalhadas, os pacientes esperam que seu sangue seja filtrado.

A insuficiência renal não tem cura. Por isso, os pacientes dependerão das máquinas o resto da vida. “A única maneira de se livrar da hemodiálise é fazendo um transplante de rim, mas nem todos os pacientes estão aptos para isso. Dos 200 que tratamos, apenas 34 estão na fila para serem transplantados”, disse o médico.

O trabalhador rural aposentado Edson Alves de Oliveira, de 33 anos, é um deles. Aos 22 anos, ele descobriu que sofria de insuficiência renal. Fez hemodiálise e entrou para a lista dos transplantes. “Eu moro em Morro Agudo. Preciso viajar três vezes na semana para vir me tratar em Franca. É muito sacrifício. Acompanhando meu sofrimento, minha mãe resolveu ser minha doadora”, conta.

No dia 6 de abril de 2005, Edson fez seu primeiro transplante no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. “Foi um alívio. Senti que tinha minha vida de volta. Mesmo ainda não podendo trabalhar, eu era livre novamente.”

O que Edson não esperava era que seis anos e dez meses depois seu organismo iniciasse um processo de rejeição. Ele teve, então, que voltar para as sessões de hemodiálise. “Não foi fácil, mas, pelo menos, ainda estou vivo e os médicos me disseram que poderei receber outro transplante.”

Mesmo fazendo hemodiálise há 26 anos, só agora Lucídio pensa em se livrar das máquinas. “Eu estava acomodado. Agora, de tanto falarem, estou fazendo os testes e exames para ver se posso entrar na fila de transplantes.”
 

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