Um homem é acusado de aplicar golpes em pessoas interessadas na compra ou reforma de imóveis e em lojas de materiais de construção. Ele se identifica como José Fernando Pereira Júnior. Os prejuízos, de acordo com as vítimas, chegariam perto dos R$ 500 mil. Até ontem, nove boletins de ocorrências já tinham sido registrados no 5º Distrito Policial, mas estima-se que o número de vítimas seja próximo de 30.
Segundo contam as vítimas, José Fernando teria vindo para Franca no final de 2010. Durante os primeiros oito meses do ano passado, teria atuado como corretor independente. Os primeiros golpes teriam começado em novembro de 2011. Em cada caso, de acordo com os denunciantes, ele agiu de maneira diferente. Para alguns, se apresentava como construtor. Em outros, era corretor. Ele também se apresentava como engenheiro civil.
O mecânico RR, 24, conheceu José Fernando em março. Interessado em comprar um imóvel no Residencial Meirelles, procurou imobiliárias e corretores. “O José foi o que apresentou a melhor proposta. Ele é muito convincente, fala bem, é simpático e parece dominar o mercado. No começo me ofereceu um terreno.”
Quando o negócio estava para ser fechado, José ligou para RR. “Ele disse que tinha surgido uma ótima oportunidade. Um homem que precisava viajar para a Espanha estava vendendo a casa pelo mesmo valor que pagaria no terreno. Me empolguei.” Para fechar o negócio, José teria exigido que RR desse R$ 8 mil de entrada. “Ele disse que o dinheiro tinha que ser depositado naquele dia porque o cara ia viajar. Eu saquei R$ 5 mil da minha conta e pedi R$ 3 mil emprestado para a minha mãe.”
Depois do depósito feito, José voltou a procurar RR e, desta vez, se ofereceu para reformar a casa. “Ele pediu que a gente comprasse os materiais e entregasse lá, mas não fiz isso.” Passado um mês do negócio, como a reforma não andava e José parou de atender as ligações, RR resolveu ir visitar a casa. “Tomei um susto. Na minha casa, tinha outra placa de vende-se. Foi quando percebi que tudo não passou de um golpe.” RR procurou a polícia. “Na delegacia descobri que os documentos que ele passou são falsos.”
A funcionária de uma imobiliária, que pediu para não se identificar, também diz ter sido vítima do suposto corretor. No final do ano passado, ela resolveu montar um escritório. “Comentei com ele e disse que estava sem dinheiro para fazer as adequações na sala que aluguei. Ele, então, me convenceu a deixar a reforma por sua conta.” Em fevereiro, José procurou a funcionária e disse que já podia mandar o pintor até o local. “Eu nem pensei na hora, apenas entreguei a chave para que o serviço pudesse ser feito.” José não pintou o imóvel. De acordo com a funcionária, teria se apoderado do local. “Ele passou a atender seus clientes lá, enquanto eu achava que a sala estava sendo reformada.”
Um dia, a funcionária recebeu o telefonema de uma madeireira cobrando um cheque de R$ 3,5 mil. “Quase morri de susto. Nunca tinha ido a essa madeireira nem comprado nada lá. O gerente me falou que o cheque tinha sido dado pelo José, que no cadastro usou os documentos da minha empresa que estavam no escritório.”
Ela procurou a polícia. “Também tentei falar com o José, mas ele nunca mais me atendeu. Além do cheque de R$ 3,5 mil, ainda emitiu outros dois de R$ 5,7 mil e de R$ 19 mil, mas estes eu consegui sustar.”
DOCUMENTOS
Apesar de se identificar como corretor de imóveis, José Fernando Pereira Júnior não possui registro no Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) do Estado de São Paulo. O documento é obrigatório para os profissionais que atuam no Estado.
José também se identificava como sendo engenheiro civil. A sede do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) do Estado de São Paulo que funciona em Franca também informou não ter nenhum registro do profissional. No Crea de Minas Gerais, que funciona em Passos, também não há registro.
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