Ela passou horas se arrumando e investiu uma boa quantia naqueles sapatos de plataforma alaranjado e no vestido de estampa selvagem com mangas bufantes pensando em agradar. Terminada a produção, olha em seus olhos toda confiante e pergunta: como estou? Se você é o namorado, há boas chances de que sua resposta seja um nada sincero “linda”, mas, se você é a amiga, há boas chances da resposta ser: “legal, mas essa maquiagem ficaria melhor com aquele seu tubinho básico...”. O fato é que a verdade dificilmente aparecia e isso tem uma explicação.
Um artigo publicado pelo Instituto Nacional de Psicologia e Neurociência estima que as pessoas mintam em média 200 vezes por dia. Isso equivale a uma mentira a cada cinco minutos e quase sempre, elas começam com os falsos elogios.
Neuropsicólogos do Instituto afirmam que a mentira existe ao longo de toda uma escala patológica define até mesmo a saúde mental: mentir para si mesmo negando a morte de um parente querido ou acreditando que pode voar é um dos estágios patológicos. Outro nível é o estado neurótico, que se reflete na auto-estima e na necessidade de transmitir uma falsa imagem para a sociedade, como nos casos de pessoas inseguras que tentam se passar por destemidas. Há também a psicose, onde a mentira chega em forma de delírios.
O aprendizado da mentira se inicia na infância, quando o intuito é se livrar de alguma culpa, mas, nessa fase, os pequenos ainda não distinguem muito bem a realidade da fantasia. Na adolescência ela aparece como necessidade de ser aceito por um grupo e justificar irresponsabilidades. A mentira passa então a ser parte do cotidiano e acaba banalizada.
Antes de se culpar pensando nas 12 mentiras que contou na última hora, saiba que a “falsidade” tem um papel importante na sociedade. Outro artigo, este publicado pela Fundação Getúlio Vargas, afirma que as mentiras sociais evitam o caos, como no exemplo dado no primeiro parágrafo ou como quando agimos de forma educada com alguém que xingamos interiormente.
Ainda de acordo com o artigo, a cultura em que crescemos nos condiciona a perceber quando podemos ser sinceros ou quando devemos ser convenientes, como nas situações ilustradas ao lado pelo ranking informal que o Se Liga preparou sobre as mentiras mais contadas:
AS MENTIRAS mais contadas
Contada aos inconvenientes:
Eu ia te retornar mas...
Contada aos pais:
Estarei em casa antes da meia noite
Contada aos filhos:
Foi a cegonha
Contada às visitas:
Já vai? Está cedo
Contada aos convidados:
Não precisava de presente!
Contada à plateia:
Eu queria dizer apenas uma palavrinha...
Contada ao cliente:
Você tem sempre razão
Contada ao patrão:
O trabalho já está quase finalizado, só precisa...
Contada aos amigos:
Se eu tivesse dinheiro te emprestava
Aos sacerdotes:
Até que a morte nos separe
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