Como Ribeirão Preto ainda é a principal cidade do nordeste paulista, dificilmente há alguém que viva na zona da Mogiana e desconheça as tradicionais barracas que ficam às margens da rodovia Cândido Portinari, no município de Brodowski. Muitos, inclusive, já devem ter parado para alguma ‘comprinha’. Atualmente, os comerciantes ali instalados vendem vários tipos de frutas, abóboras e pimentas, mas quando começaram concentravam-se basicamente no abacaxi.
Pois é, depois de mais de 40 anos essa tradição está ameaçada. É que a Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) não renovou as licenças desses comerciantes e está exigindo uma série de adaptações que os comerciantes estão temerosos em realizar, pois não têm certeza de que poderão ficar em seus espaços depois de gastarem aquilo que muitos deles nem têm.
Obviamente, não há que se crucificar a Artesp. Ela apenas está seguindo as normas do DER (Departamento de Estradas de Rodagem). E por mais que falemos em tradição, há que se considerar que o mundo continua girando e as transformações que permeiam a sociedade exigem adaptações constantes, sobretudo pela velocidade como tudo acontece hoje em dia.
Da mesma forma que a Vigilância Sanitária faz nos dias de hoje muitas exigências a açougues, padarias, bares e restaurantes, solicitações que não eram feitas antigamente, também a Artesp é obrigada a endurecer um pouco mais com as regras que determinam a ocupação das margens dessas rodovias cada vez mais movimentadas.
De qualquer modo, a Artesp também precisa considerar o bom senso. As pessoas que ali estão não têm outra fonte de renda, nem são abastadas o suficiente para investirem em outro negócio ou para fazerem, de uma hora para outra, todas as adequações que são exigidas.
Além do mais, os bancos e mesas de concreto foram instalados há mais de 8 anos e a licença da Artesp é renovada a cada dois anos, o que mostra que essa fiscalização também não foi de todo eficiente. E fora a fiscalização, parece que também não houve nenhum tipo de orientação nesses últimos anos.
Dessa forma, não é justo que a Artesp chegue de repente, não renove a licença desses comerciantes, cause em todos uma grande preocupação quanto aos seus respectivos destinos e exija que as adequações sejam prontamente executadas.
Seria necessário negociar um prazo que fosse compatível com os recursos e as possibilidades de cada um deles. Como nunca houve qualquer incidente nesses 40 anos de tradição, a Artesp poderia ter um pouco mais de flexibilidade. Afinal, esse não é um caso tão ofensivo à segurança da rodovia. Existem outros riscos bem mais contundentes e que estão atualmente bastante relegados.
E os motoristas que gostam de abacaxi agradecem.
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