Obsessão


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Algumas pessoas têm me perguntado se encontrei o meu casaco marrom, aquele de lã, em tricô, gola em bico, bolsos largos, botões enormes e bolinhas grudadas em razão do tempo. O casaco que fora de minha mãe, depois da minha irmã e finalmente meu. Desculpe-me a chatice de contar a mesma história, mas é importante esse relato por mais uma vez.

Devo dizer que estou frustrada, pois ainda não encontrei o meu bonito casaco marrom em lugar nenhum e nem mesmo na primeira viagem de navio que fiz há algum tempo quando o levei na bagagem, mas não perdi a esperança e até arrisquei uma segunda viagem, outro cruzeiro, pensando encontrar o meu casaco marrom no navio ou com a prima Sofia, outra vez companheira de cabine que bastante distraída talvez o tivesse colocado entre os seus pertences, mas tudo em vão.

Foi então que procurei o comandante do navio, homem educado, elegante em sua farda branca, que comovido ouviu a minha história e propôs procurarmos juntos toda a embarcação, desde o convés, proa, perdidos e achados, e até nos seus aposentos, um requinte só, mas nada que indicasse o rumo do meu casaco marrom.

E por uma vez mais o comandante fez valer a sua inteligência e dedicação lembrando aquele outro navio, o italiano, que há pouco tempo naufragou, levando talvez o meu casaco tão bonito que pode estar encalhado no fundo do mar ou boiando em águas estrangeiras.

Prestativo, o comandante prometeu cuidar do caso do meu casaco marrom deixando-me a par dos acontecimentos e cheia de esperança.

Então é esperar e esperar, pois se o comandante falou tá falado, né?

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