Vielas de Franca


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O desenvolvimento de Franca não chegou a conhecer o período colonial com muita pujança. Portanto, suas vielas não são de origem árabe, com inspiração mourisca, aquelas bem estreitas e sinuosas que ainda podem ser vistas em cidades que preservaram um pouquinho de sua arquitetura passada.

No entanto, parece que a frase utilizada pelo escritor Luiz Edmundo para descrever as vielas cariocas do começo do século XX poderia muito bem ser utilizada para descrever essas nossas mais modernas: ‘as vielas que se multiplicam no Rio de Janeiro são sulcos tenebrosos que cheiram a mofo, a pau-de-galinheiro, a sardinha frita e suor humano’. Se apenas trocarmos os nomes das cidades e excetuarmos a sardinha, que não faz parte de nosso cardápio cotidiano, talvez alguns de nossos moradores se reconheçam nesses espaços.

Conforme matéria publicada por este Comércio no domingo, 15/04, cerca de 130 vielas de nossa cidade estão precisando de revitalização. Surgidas há mais de 15 anos, quando ainda vigorava a antiga lei de parcelamento do solo, esses espaços tinham o objetivo de facilitar a vida das pessoas. Em quarteirões com mais de 300 metros de extensão era preciso haver uma viela para que os pedestres pudessem diminuir sua caminhada. Além disso, existiam vielas para separar áreas particulares das públicas e as chamadas vielas sanitárias, por onde passavam as redes de esgoto.

Hoje, praticamente abandonadas pelo poder público, elas se transformaram em espaços escuros e disponíveis à bandidagem e à utilização de drogas, amedrontando as pessoas que por ela precisam passar. Esquecidas no tempo, essas vielas não servem mais nos dias de hoje, nem para fomentar o turismo e o resgate de história, como acontece em cidades como Parati, Ouro Preto e Olinda, entre outras, nem para a nossa lida cotidiana.

O que fazer então? A Prefeitura promete revitalizá-las, depois de três longos anos de levantamento e catalogação. Mesmo que agora acelere essas obras, o que é bastante improvável, com certeza não resolverá o problema. Como qualquer espaço público, para se expulsar a bandidagem é necessária a ocupação, da mesma forma como acontece em praças e parques. Mas, o que fazer em uma viela, além de por ela transitar?

Além disso, o problema da segurança pública em nossa cidade não passa por essas vielas. Tranquilos e cada vez mais ousados, os ladrões estão agindo em ruas e avenidas mais amplas, e em plena luz do dia para que não achemos também que o problema é de iluminação.

De qualquer forma, é imprescindível que a Prefeitura trate essas vielas como qualquer outra rua. É preciso, no mínimo, calçamento e iluminação. Se surgir alguma outra idéia que permita ocupá-las, melhor ainda.

O que não pode é demorar mais três anos para que se revitalizem todas elas.

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