O comerciante aposentado Alair Cândido Oliveira, 61, proprietário de um posto de combustíveis em Franca, pilotava o avião que caiu no canavial em Batatais em 2008. Ele admitiu que cometeu um erro ao calcular a distância em que deveria iniciar a descida. A forte tempestade do momento também contribuiu para a queda. Ele obteve o brevê em 1974 por ser apaixonado por aviação. Na época do acidente, acumulava 34 anos de experiência e sete mil horas de voos. Após o acidente, Alair ficou 30 dias acamado porque quebrou a bacia. Depois da recuperação, pilotou mais um ano e meio.
Comércio da Franca - Como foi o acidente?
Alair Oliveira - Lembro dele todinho. De Araxá para cá começou a chover forte, com relâmpagos. Chegamos em Franca e deu até para avistar a pista, mas não quis arriscar descer porque tinha muita turbulência. Fiz um plano de voo para Ribeirão. O erro maior foi começar a descida antes. Uns 30 segundos a um minuto depois, a gente não teria batido. Tem uma depressão perto de Brodowski e pelas milhas do GPS calculei que estávamos nesse ponto, mas era um pouco antes, numa parte mais alta, e batemos. Só que um minuto no avião seria uns cinco quilômetros antes desse ponto. Baixamos antes, pegamos uma turbulência forte e batemos no canavial. O choque foi a 300 km/h. O GPS da época não alertava sobre a proximidade com o solo.
Comércio - Houve tempo de perceber que ia cair?
Alair - Não, de jeito nenhum. Já entrou voando no canavial. A tempestade foi forte, tinha gelo nas nuvens. Existem duas situações: quando você sabe pouco ou muito, aí você fica muito confiante. Estava acostumado com aquele avião, “conversava” com ele, mas tem uma hora que não dá certo. Inclusive, declarei à Aeronáutica meu erro de cálculo.
Comércio - Como foi após a queda?
Alair - Quando o avião bateu, meu banco arrancou e me lembro do painel chegando no meu rosto, aí apaguei. Machuquei a bacia e quando foram me tirar, senti muita dor e voltei. Só vi o avião caído no meio da cana. Minha testa sangrava muito e meu olho ficou nublado com o sangue. Foi milagre, porque se salvar de um acidente à noite, a 300 km/h, é quase impossível.
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