Dois projetos apresentados na Assembleia Legislativa espelham a preocupação da sociedade com a reorganização das cidades
O deputado Celso Giglio (PSDB) apresentou projeto de lei que propõe a implantação no Estado de São Paulo de um sistema de classificação e premiação às cidades que investirem em melhores condições de locomoção às pessoas portadoras de deficiência física. E Donisete Braga (PT) apresentou projeto de lei com objetivo de medir avanços em obras públicas de acessibilidade e ciclovias no Estado.
A iniciativa de Giglio poderá beneficiar cerca de cinco milhões de pessoas, 11% da população do Estado. Funcionará nos moldes de um campeonato, com prêmios para os municípios que mais investirem. “Queremos que as cidades sejam locais corretos em todos os seus domínios, para que as pessoas portadoras de deficiência possam transitar com segurança, tendo acesso ao lazer, à educação, ao trabalho”, afirma Giglio.
O projeto de Donisete acrescenta o novo indicador ao Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), que atualmente mede os esforços e participação dos municípios nas áreas de saúde, educação, renda, finanças públicas, desenvolvimento urbano, combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, gravidez precoce das adolescentes, trabalho infanto-juvenil, meio ambiente e atenção às pessoas com necessidades especiais. “As questões relacionadas à mobilidade no que se refere à acessibilidade e construção de ciclovias são hoje fundamentais para melhorar a qualidade de vida nas cidades, daí a importância de também acompanharmos o que os municípios estão realizando”, diz o deputado.
O IPRS foi criado em 2000 pela Fundação Seade a partir do paradigma do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “O IPRS é uma poderosa ferramenta para avaliar e redirecionar os recursos públicos para o desenvolvimento dos municípios”, diz ele.
Nos trilhos
A Frente Parlamentar em Defesa da Malha Ferroviária Paulista debaterá os problemas das ferrovias no Estado nesta quinta-feira, às 10 horas, na Assembleia Legislativa. Em pauta: o abandono dos trens de passageiros e a dificuldade no transporte de cargas. Presença confirmada do presidente da América Latina Logística Malha Paulista (ALL), Pedro Roberto Oliveira Almeida. A ALL é a principal concessionária da malha ferroviária em São Paulo e vem sofrendo uma série de críticas de prefeitos e lideranças regionais. O relacionamento da concessionária com prefeitos e a população “tem sido um desastre”, afirma o deputado estadual Mauro Bragato (PSDB), coordenador da Frente.
Esta será a terceira reunião da Frente, para a qual foram convidados parlamentares, prefeitos, representantes do Poder Público, entidades sindicais, empresários e a sociedade civil, para debater a concessão do transporte sobre trilhos no Estado. A Frente das Ferrovias foi instalada em novembro do ano passado e tem como objetivo buscar soluções para a expansão e o aproveitamento do que resta da malha ferroviária paulista após a privatização da Fepasa e de sua transferência para a Ferroban, hoje América Latina Logística (ALL). Os dois primeiros encontros contaram com cerca de 100 participantes cada um, entre deputados, prefeitos, vereadores e sindicalistas, além de palestrantes e o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes.
Bragato foi relator da CPI das Ferrovias, concluída em 2010 e que trouxe a público inquérito realizado pela Polícia Federal, na chamada Operação “Fora dos Trilhos”, que investigou a ALL e apurou crimes praticados contra os bens da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal) e da Fepasa (Ferrovias Paulistas).
Leptospirose
O hospital estadual Emílio Ribas, unidade da Secretaria estadual de Saúde de São Paulo, referência em tratamento de doenças infecto-contagiosas, faz alerta para os cuidados com a leptospirose, doença que, em época de enchentes, pode levar a morte caso não seja diagnosticada com antecedência. Em 2012, o Emílio Ribas tem diagnosticado um caso de leptospirose a cada cinco dias. A doença ocorre especialmente em épocas de chuva, quando as enchentes e transbordamentos de esgotos e rios são mais frequentes. A urina dos ratos contaminados com a bactéria leptospira é conduzida pelas águas das inundações, que penetram na pele (mesmo sem nenhum ferimento aparente), causando a doença.
“Os primeiros sinais podem ser febre, dores no corpo, na cabeça e especialmente na panturrilha”, comenta o médico, acrescentando que, na ausência de tratamento de urgência, alguns casos podem ser mais graves, provocando riscos de insuficiência renal com sangramento nos pulmões, o que pode levar à morte. Em casas e estabelecimentos comerciais que sofreram enchentes deve-se realizar limpeza usando luvas e botas de borracha, utilizando água corrente e água sanitária. Alimentos e medicamentos, mesmo os fechados, que tiveram contato com a água das chuvas, devem ser descartados.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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