Continuamos atordoados em meio à insegurança. Pode ser que hoje seja contigo e amanhã comigo. Ninguém está imune e não há o que fazer a curto prazo
Estas frases podem parecer catastrofistas, ‘para baixo demais’ se analisadas por otimistas ferrenhos. São de constatação plena, no entanto. Em algum lugar, muito perto de cada um de nós, há olhos que espreitam, estudando o melhor momento para atacar. Confesso que minha tradicional única volta em quarteirões no entorno de onde moro quando volto para casa ao fim do dia de trabalho, tornou-se várias. Estou mais velho, mais preocupado com os outros, e deve ser por isso que amplio meus cuidados. E dou-me razão.
Tenho, com meus companheiros jornalistas do GCN, contado sobre a bandidagem que se amplia – insegurança plena e institucionalizada - e se especializa (especializa, vejam só onde chegamos) em rolar por debaixo de portões eletrônicos quando alguém deixa a garagem do sacrossanto lar pela manhã, ou quando se prepara para fechar, depois de guardar o carro, ao fim do dia. Rendido pelo fora-da-lei o pobre cidadão de bem é obrigado a aceitá-lo dentro de sua casa e testemunhar, impotente, a recolha de bens duramente conquistado à custa de tapas, revólveres encostados na cabeça e até, agressões sexuais, que, maioria dos casos, a vergonha não permite que sejam descritas nos boletins de ocorrência.
Esteja certo que, lá fora, está o companheiro do invasor, pronto a entrar quando o primeiro se julgar dono da situação, ou a entrar em ação se o primeiro invasor tiver dificuldades quando disser aos invadidos o tradicional “perdeu, meu irmão”.
É de chorar saber que, se pegos forem, estarão novamente nas ruas no mesmo dia, ou, mais tardar, dia seguinte, rindo na cara de policiais e da sociedade. É de gritar de raiva saber que quem decide isso é o legislador, exatamente aquele que com nosso voto, pusemos lá no ar condicionado dos gabinetes de Brasília. E é de xingar muito, a plenos pulmões, quando magistrados obedecem cegamente as enxurradas de leis caolhas e permissivas que lhes impingem e juraram honrar pela imparcialidade de suas decisões. Esperneio mas não os condeno. “Lei é lei; boa ou não, é a lei...”, mas tenho certeza que muitos deles, espíritos esclarecidos e preocupados com a impunidade que indiretamente proporcionam, começam a pensar como garantir a punição de errados, voltando a resguardar a sociedade dessas presença nocivas pelo maior tempo possível.
O retorno à ética passa pela família estruturada e capaz de dar educação a seus filhos, mas isso está perdido. Passa pela escola, que só deveria oferecer cultura, mas tem que educar, perdendo tempo e não fazendo bem nem uma coisa e nem outra. E passa, essencialmente pelo voto em representantes/legisladores melhores, mas também isso não vai mudar, já que a maioria de nós não está nem ai. Talvez tenhamos todos, sem exceção, que imergir de corpo inteiro em banhos de violência explícita para reconhecer a pequenez a que estamos reduzidos e à qual nos rendemos cada dia um pouco mais. Viu porque, pelo menos por enquanto, não cabe olhar otimista?
COMERCIANTE X BANDIDOS
O vídeo que mostra a reação de comerciante a bandidos que invadiram seu local de trabalho esta semana, tem sido recorrentemente visto no portal GCN. Em resposta, há centenas de cartas em debate aberto, sobre o tema. De um lado, os contidos, acreditando que o supermercadista deveria ter ficado quieto, não se expondo a perder a vida – o que, felizmente, só não aconteceu porque a arma de um dos assaltantes ‘picotou’ e não disparou, mesmo acionada várias vezes. De outro, espíritos descrentes na justiça e convictos da impunidade que ‘premia’ quem ataca, rouba, agride, reduz cidadãos a nada. Dentre esses, alguns pregam reação, rearmamento, defesa própria. Estamos presos ao cenário que as leis de hoje admitem. Pobres de nós.
JORNALISTO E RADIALISTO
Enquanto grassa a violência, a bandidagem, a locupletagem de políticos com 18 salários anuais e fortunas em verbas de gabinete que não precisam ser demonstradas, a Presidência da República deu um jeito de legalizar o termo“Presidenta” que Dilma faz questão de usar. Não acredita? Confira a Lei 12.605, no Diário Oficial da União (DOU) dia 4 de abril, aqui. Agora há “emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau de diplomas”. Quem já é diplomado, poderá requerer reemissão do diploma com a devida correção, por força da mesma lei. Será que agora sou jornalisto e radialisto? Meu avô, vivo fosse, teria filosofado: “ara, ara, sim senhor...”.
UM PAÍS DE ADIRES
Adir Leonel é um pecuarista vencedor, referência em sua área de atuação. Há 42 anos, paralelamente à lida com rebanhos bovinos e leilões, criou um para ajudar a APAE de sua cidade. Tomou gosto. Não parou mais. Já são mais de 170 realizações sem reservar nenhum centavo a si próprio. Organiza, sensibiliza arrematadores. Doa tudo. Aqui em Franca, dia 26 deste mês faz o terceiro sequente para a APAE local.Sua história vale livro para nunca ser esquecida. E cópias muitas. Um País inteiro de Adires, quem sabe.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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