- Ei, querida.
- Oi. Você por aqui? Há quanto tempo...
- Quem é vivo sempre aparece.
- Estou vendo. E a Marli?
- Esquece. O gato comeu.
- Acabou com ela?
- Coisas da vida. E o Sérgio?
- O gato também comeu.
- Não diga! Nunca mais o vi.
- Esquece também.
- Você continua linda.
- E você é o mesmo gatão.
Riram. Olharam-se longamente. Ela suspirou:
- Para onde vai?
- Com este feriado... Batendo perna. E você?
- Ia comprar umas coisinhas sem importância. Deixa pra lá.
Tocaram-se os dedos. Entrelaçaram-se. Olho no olho. Atravessaram a rua.
Poucas pessoas na manhã ensolarada.
Ele tossiu. Ela tossiu. Mudos. O braço dele enlaçou-lhe discretamente o ombro. A mão dela apertou-lhe mais os dedos.
Entraram no prédio bonito. Ela se mostrou curiosa:
- O que é aqui?
- Mudei-me para cá.
- Você ficou rico?
- Ainda não.
Subiram no elevador.
Chegaram ao apartamento.
- Que coisa mais lin...
A porta fechou-se, interrompendo a exclamação.
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