Energia alternativa


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A presidenta Dilma fez uma equivocada crítica na sua primeira reunião com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, ao dizer ‘que não há espaço para discutir ‘fantasia’ na Rio + 20, conferência de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas que acontecerá no Brasil.

As energias alternativas surgem com força nas pesquisas e investimentos desenvolvidos em todo o considerado mundo desenvolvido e, mesmo no Brasil, é evidente seu avanço e importância. Somos o quinto maior investidor em energias renováveis e aqui foi investido, em 2010, cerca de US$ 7 bilhões. Esses dados foram divulgados pela ONU que mostra, ainda, que os investimentos mundiais em energias limpas chegaram, no mesmo ano, a US$ 211 bilhões.

Esse valor de US$ 211 bilhões, isoladamente, pode não ser significativo comparado a outros investimentos que ocorrem mundialmente, entretanto, tem sua relevância quando ficamos sabendo que ele supera os investimentos mundiais em inovação de tecnologia usada na exploração de energia fóssil (petróleo). Torna-se ainda mais relevante quando vemos que em 2004 o mundo investia apenas US$ 33 bilhões em energias alternativas. Certamente, um aumento considerável em 7 anos.

Assim, torna-se inapropriada a crítica feita pela presidenta, que deixa entender nas entrelinhas a sua defesa do pré-sal brasileiro e de todos os riscos (investimentos e meio ambiente) a ele intrínsecos. O importante é considerar as energias alternativas como complementares às energias tradicionais. Ninguém imagina ser possível substituir imediatamente fontes tradicionais pelas alternativas. A sociedade está moldada no comportamento consumista e todos os bens de consumo são configurados tecnologicamente para as energias tradicionais. A substituição acontecerá (queira a presidenta ou não), mas, logicamente, demandará tempo, investimentos, educação e conscientização.

Dilma confirma a fala do Sr. Mauro Passos, presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina (IDEAL) de que ‘existe muito forte no governo, e até na academia, um apego pelas energias tradicionais, seja por ideologia ou por interesses econômicos. Isso de certa forma impede uma renovação de conceitos e fatos’.

O bom é que as energias alternativas avançam no Brasil. A eólica já é a segunda (atrás da hidrelétrica) fonte de energia mais competitiva no nosso País e, até 2013, seremos o décimo maior produtor dessa energia no mundo.

A energia solar caminha mais lentamente, mas, também, com sua relativa importância. Essa semana inaugurou-se a usina fotovoltaica integrada ao Estádio de Pituaçu, em Salvador. Com ela, o estádio será autossuficiente em energia e outros estádios já anunciaram que irão instalar suas usinas de energia solar, como o Mineirão (BH) e o Maracanã (RJ).

Muitas outras fontes de energia alternativa estão sendo desenvolvidas de forma rápida e crescente, como biomassas (bagaço de cana, capim, casca de banana etc.).

Portanto, não tem como a presidenta ignorar esse acontecimento, ainda que o seu desenvolvimento mais intenso no Brasil dependa, principalmente, de mentes mais jovens e abertas.

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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