Para alguns políticos ouvidos pelo Comércio, se os candidatos a prefeito na próxima eleição não juntarem pelo menos R$ 700 mil é melhor que nem entrem na disputa. Em função das novas restrições impostas pelo TSE e por conta das leis municipais que inibem a publicidade, eles acreditam que será preciso investir pesado em mídia eletrônica para ser visto e ouvido pelos eleitores. Além disso, as dimensões da cidade, já com seus mais de 320 mil habitantes, também dificultariam o famoso corpo a corpo, muito utilizado por todos os políticos no passado.
Mas, é importante notar que esses R$ 700 mil são o mínimo. Uma campanha média, segundo esses mesmos analistas, deverá ficar em torno de 1 milhão de reais, um dinheiro que sabidamente não está disponível para a imensa maioria da população brasileira.
Obviamente, nem todos concordam com essas previsões. O atual prefeito, por exemplo, em entrevista publicada no domingo, 08/04, diz que não é necessário tanto dinheiro para se eleger, dependendo, é claro, do candidato, de seu histórico e de sua aceitação junto ao eleitorado.
De qualquer forma, fica difícil entender a relação entre esses números e a vontade dos candidatos em assumir a Prefeitura quando nos debruçamos mais atentamente sobre ela. Independentemente de se gastarem R$ 300 mil, R$ 700 mil ou um milhão de reais, fica difícil entender como alguém que tenha essa última quantia, por exemplo, iria investir tanto dinheiro para ocupar um cargo que atualmente iria lhe render um salário de 13 mil por mês, o que daria cerca de R$ 680 mil durante um mandato de quatro anos? Na mesma linha de raciocínio, como uma pessoa com menos posses iria arriscar tudo que amealhou durante sua vida sem ter nenhuma certeza de que ganharia a eleição?
A resposta é simples. A despeito das questões que envolvem o gosto pelo poder e outras que resvalam na possibilidade de ganhos mais fáceis em função desse mesmo poder, os recursos não saem apenas dos bolsos dos candidatos, apesar de sua importância durante a campanha. Eles saem, também, do bolso de pessoas e empresas que se colocam como doadores dessas campanhas.
Porém, é justamente nesse ponto que nos deparamos com um grave problema de nosso processo político, uma tradição que impulsiona a corrupção e que está na gênese de vários escândalos que vêm atingindo o país nas últimas décadas.
A questão é que, no fundo, ninguém dá nada para ninguém. Como dizem os economistas, não existe almoço grátis. Quem doa alguma coisa acaba cobrando a fatura no futuro, seja em termos de cargos ou de fornecimento de produtos e serviços.
Como ainda não temos o financiamento público de campanhas, continuamos sujeitos a esses problemas. Apesar das normas mais rígidas atualmente, a transparência ainda não é total.
Portanto, é bom que fiquemos atentos a isso.
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