Mãe de Marcela reza contra o aborto de criança sem cérebro


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Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela, mostra os recortes de jornais com matérias sobre a filha
Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela, mostra os recortes de jornais com matérias sobre a filha

Cacilda Galante Ferreira reza todos os dias para a filha Marcela. Ontem rezou também para que o Supremo Tribunal Federal (STF) não aprove a autorização para que mulheres grávidas de bebês anencéfalos (que nascem sem cérebro, como foi o caso de Marcela) tenham o direito de interromper a gestação. O julgamento começou quarta-feira em Brasília e continua hoje (leia mais aqui).

Cacilda, que reside em um sítio no município de Patrocínio Paulista, ficou sabendo aos quatro meses de gestação que a filha seria um bebê anencéfalo e que poderia sobreviver apenas alguns minutos após o nascimento. Mesmo assim, a dona de casa decidiu dar continuidade à gravidez. Marcela nasceu no dia 20 de novembro de 2006 e superou todas as expectativas ao viver um ano, oito meses e 12 dias. O caso de Marcela ganhou repercussão nacional e se transformou em um ícone antiaborto.

Muito religiosa, Cacilda se mostra totalmente contrária ao aborto em casos de bebês anencéfalos. “A mulher tem direito de decidir sobre o corpo dela e não sobre o corpinho que está se formando dentro de seu útero. Cabe somente a Deus decidir se ele vai ou não chegar a nascer. Eu nunca pensei nem por um segundo interromper a gravidez, mesmo com pessoas falando para eu fazer isso. Não me arrependo de tê-la deixado nascer, nem que fosse para ela viver apenas alguns minutos. Aceitei de coração e tive força para cuidar dela. Enquanto ela esteve comigo, eu a amei muito”, disse.

A ação que propõe que o direito de interromper a gravidez cabe somente à mulher foi proposta ao STF em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde. De acordo com o Código Penal, o aborto é crime com exceção em casos de estupro ou de risco de morte para a mãe. Pouco tempo após a morte de Marcela, Cacilda foi convidada por uma ONG do Rio de Janeiro a ir a Brasília acompanhar a discussão no STF. A esperança era de conseguir contar o caso de Marcela. “Eles não deixaram eu falar, mas chamei a atenção dos jornalistas que estavam lá e contaram a história da Marcela. Espero que essa proposta não seja aprovada.”

Atualmente, Cacilda reside em um sítio no município de Patrocínio junto com o marido e o sogro, de 92 anos, a quem dedica boa parte do dia. “Com a Marcela eu cumpri minha missão. Estou com a consciência tranquila.” Para se distrair, aprendeu a fazer crochê e tenta amenizar a saudade de Marcela brincando com a neta de dois anos. No quarto ainda mantém uma caixa com recortes de jornais com matérias sobre a filha. Guarda ainda o berço e algumas peças de roupa. “Ainda sinto a presença da Marcela. Sempre converso com ela.”

Escute aqui o depoimento de Cacilda.

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