O mundo urbano aproximou as pessoas. Se antes pequenos grupos viviam afastados uns dos outros pelos quilômetros que separavam as propriedades rurais, atualmente todos se aglomeram pelos espaços públicos e privados das cidades. Seja no aperto do trânsito, no movimento de bares e restaurantes, na correria das ruas ou na proximidade dos apartamentos.
Se essa aproximação trouxe um ganho em termos de desenvolvimento, de opções de trabalho, lazer e até mesmo de relacionamentos, trouxe também uma perda em termos de conflitos e desentendimentos, uma vez que no limitado espaço em que transitam e vivem as pessoas, se movem também seus direitos e deveres.
Nesse sentido, o pressuposto básico desse ambivalente convívio passou a ser o respeito ao direito do outro, seja por meio da ética e da convicção, ou por força da lei. Não se pode jogar o lixo no quintal do vizinho. Não é permitido passar no sinal vermelho e também não se pode fazer barulho depois de determinado horário.
Até aí, tudo muito natural. O convívio nas cidades já é um hábito antigo para o gênero humano. O problema é que nessa atual sociedade de consumo tudo está muito excessivo. Tudo é muito “over”. O problema do som, que motivou o fechamento de dois bares na cidade na semana passada, é um bom exemplo desse excesso.
Na ânsia de se divertir e ouvir sua música predileta, as pessoas esquecem que nem todos apreciam essa música e que muitos outros não podem ou estão dispostos a se divertir nesse mesmo momento. Em uma cidade do porte de Franca, com mais de 300 mil habitantes, há pessoas que precisam dormir ou preferem ficar no silêncio e na tranquilidade de seus lares após determinado horário. Há também pessoas com crianças ou familiares doentes e pessoas que preferem lugares mais calmos e silenciosos, assim como músicas de outros estilos.
Nesse sentido, é extremamente invasiva a atitude daqueles que exageram no som em seus bares. Ao elevarem ao máximo o volume das músicas, acabam atrapalhando o direito dos outros.
Mas não apenas nos bares esse excesso acontece. Há pessoas que também abusam do som em seus automóveis, como é muito comum verificar em qualquer lugar hoje em dia. Pessoas que param seus carros nos postos de gasolina, na frente dos bares ou até mesmo nas vias públicas, abrem as portas ou o porta-malas e colocam sua música no volume máximo, obrigando todos que estejam próximos a ouvi-las.
Nesse sentido, é importante que o poder público comece realmente a coibir esses abusos, a despeito dos espaços em que ocorram. Viver em comunidade demanda o respeito a determinadas normas sociais. E em um mundo bastante ruidoso e barulhento, o silêncio após determinado horário é com certeza uma delas.
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