Atalie comemora os 20 anos da coluna 'Do Fundo do Baú'


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Atalie Rodrigues Alves assina a coluna Do Fundo do Baú no caderno Nossas Letras, que traz imagens antigas de Franca
Atalie Rodrigues Alves assina a coluna Do Fundo do Baú no caderno Nossas Letras, que traz imagens antigas de Franca

O resgate de fotos é essencial à manutenção de um passado que realmente só permanece na memória. Recentemente, redes sociais têm se tornado ferramentas eficazes no compartilhamento de histórias antigas, seja por texto, imagens ou elementos multimídia. Em Franca, no entanto, este trabalho de ‘resgate do ontem’ já é desenvolvido há um bom tempo pela artista plástica Atalie Rodrigues Alves. Há exatos vinte anos, Atalie traz semanalmente às páginas do Comércio, no caderno Nossas Letras, imagens de uma Franca do passado. Trata-se da coluna Do Fundo do Baú, que une fotos a informações históricas do município.

De acordo com Atalie, a ideia, e inclusive o nome dado à coluna, nasceu quando ela encontrou uma caixa com fotos antigas que uma tia tinha em casa. “Olhando fotos de parentes, encontramos muitas imagens da cidade. Meu tio gostava muito de fotografar, e fazia fotos de vários lugares em Franca. Como eu já havia trabalhado com o Mauro Ferreira (marido da artista) na época em que ele estava fazendo pesquisa para seu livro, que foi lançado em 1983, tínhamos muitas fotografias antigas em nosso acervo particular. Como os livros agradavam muito na época, pensamos que poderia ser interessante fazermos uma coluna. No início, durante cerca de um ano, ele assinava a coluna comigo. Depois disso, resolveu partir para outros trabalhos e eu assumi a coluna sozinha.”.

O trabalho de escolha das imagens era feito, a princípio, entre as fotos do acervo particular da artista. Aos poucos, Atalie começou a sentir o interesse dos leitores, que a procuravam para entregar fotos antigas a serem publicadas na coluna. “Há muita coisa que não faz parte do meu acervo. Temos fotos desde o final do séc. XIX, tanto de famílias quanto de pontos da cidade. Isso é muito bom, essa troca é muito interessante”, diz.

Através das imagens publicadas, Atalie compara a arquitetura de Franca de décadas atrás com a situação atual do município. “Muitas fotos mostram locais irreconhecíveis. Muitas vezes, se o leitor pegar a foto e tentar localizar, por exemplo, o trecho de uma rua, vai ver que atualmente não há uma casa sequer ali. Todas foram demolidas. Há inclusive fotos de casas antigas que tiramos na década de 90 e que hoje já estão sendo demolidas também. Essa destruição não para, só muda de ritmo”, analisa. Para Atalie, o período de maior descaracterização do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade ocorreu entre os anos 70 e 80. “Observamos essas diferenças principalmente nas praças. A praça Nossa Senhora da Conceição perdeu seus prédios para dar lugar às novas agências bancárias. Os bancos compraram os sobrados que existiam e os demoliram para construir as agências.”

Veja mais fotos na Seção Do Fundo do Baú - Nossas Letras - aqui

Uma das razões da descaracterização desenfreada nos prédios antigos da cidade era a inexistência de um Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) municipal. O que motivou os interessados na preservação do patrimônio a trazer o órgão para Franca foi a demolição do Hotel Francano, entre 1979 e 1980. “Fizemos um movimento para que o hotel não fosse demolido. O prédio até havia sido tombado pelo Condephaat estadual, mas teve o veto do Secretário da época. Após a perda deste prédio é que surgiu o órgão no município. Os primeiros tombamentos, no entanto, só aconteceram em 1997. É um órgão novo, e a atuação é lenta demais para a velocidade dessas demolições. Infelizmente, até os prédios tombados não têm atenção. O Condephaat não fiscaliza as reformas, e isso dificulta a preservação destes prédios”, explica.

Nestes 20 anos de Do Fundo do Baú, Atalie afirma que conheceu muitas histórias interessantes. “Estamos sempre conversando com pessoas. Mostro as imagens aos viveram naquela época e eles então contam uma história, e a partir daí contextualizamos as imagens”. E a ‘expectativa de vida’ da coluna é promissora. “Isso não vai parar. Em 20 anos de história, já tem muita gente de 60 anos que está ‘no fundo do baú’”, brinca. “Com certeza nos próximos 20 anos teremos muito mais registros.”

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