Os empresários francanos reagiram de maneira quase indiferente ao anúncio das novas medidas do programa Brasil Maior, que visa estimular alguns setores de nossa economia, entre eles o calçadista. Apesar das novas desonerações anunciadas, o presidente do Sindifranca está cauteloso. Para ele, só haverá algum ganho para os empresários do setor se essas medidas forem efetivas e acontecerem de uma só vez.
Nesse mesma linha defendida pelos nossos calçadistas, o presidente da Fiesp acredita que as medidas servem apenas para abaixar a febre da indústria brasileira, mas não atacam a ‘doença’ de forma direta, o que só poderia ser feito por meio de medidas que atingissem o ‘custo Brasil’ como um todo, ou seja, a defasagem cambial, os juros altos, a desoneração da folha de pagamento e o alto custo das fontes energéticas, entre vários outros pontos.
A despeito da correção de muitas de suas argumentações, é importante lembrar também os perigos de se exagerar em direção ao protecionismo, sobretudo em um mundo no qual os fluxos comerciais e financeiros estão cada vez mais internacionalizados, forçando a rigidez conservadora das fronteiras nacionais.
Como já dissemos nesse espaço, é imprescindível que se defenda a indústria nacional e os empregos por elas gerados, já que por trás dos discursos de livre comércio propagados pelo mundo afora existem várias práticas protecionistas disfarçadas, inclusive nos países desenvolvidos.
No entanto, se olharmos para o nosso passado, vamos perceber que o protecionismo por nós experimentado não nos ajudou muito. Além de não desenvolver nenhuma grande indústria, acabou por criar alguns setores fechados e refratários, inibindo as ações inovadoras e o investimento tecnológico.
Infelizmente, o protecionismo tende a acomodar os empresários. Seguros e com lucros garantidos, muitos deixam de fazer o ‘dever de casa’, o que acaba prejudicando apenas os consumidores, obrigados ao consumo de produtos inferiores em todos os aspectos.
Nesse sentido, é urgente e imprescindível que o governo brasileiro tenha a coragem de promover as reformas necessárias para desonerar e desburocratizar a nossa produção. Mas também é importante que os empresários brasileiros não se limitem às demandas e reclamações.
No que diz respeito aos nossos calçadistas, é mais que conhecida a inadequação de boa parte de nosso parque industrial, já bastante defasado em relação aquilo que existe de mais moderno em termos de tecnologia de produção. Além disso, o grau de escolaridade de nossa força de trabalho ainda é muito baixo, o que acaba refletindo na qualidade do produto.
Portanto, além de reclamar ações governamentais, nossos empresários também deveriam repensar suas estratégias, seus investimentos e suas próprias empresas.
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