Busca pelo Abrigo Provisório cresce após ação da polícia


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Desde o final do mês passado o número de pessoas que procuram o Abrigo Provisório de Franca cresceu 57% - em média eram 35 por dia e hoje o número subiu para 55. Os moradores de rua têm procurado ajuda mesmo sem convite. Antes eles resistiam e negavam o apoio oferecido através do Programa Busca Ativa. Esse novo cenário, segundo o administrador do Abrigo, Adair de Carvalho, se dá por conta da ação que a Polícia Militar tem feito nas ruas da cidade após a cobrança do juiz José Rodrigues Arimatea, responsável pela Vara do Júri, Execuções Criminais e da Infância e da Juventude, para coibir a ação de pedintes no município.

Após a cobrança do juiz, feita no início de março, a Polícia Militar passou a realizar abordagens de pedintes em diversos pontos da cidade. Foram registrados 39 casos até o início deste mês. Segundo Arimatea, os moradores de rua que se enquadrarem na contravenção de vadiagem (mendicância não é tida como crime) devem ser autuados e se forem flagrados duas ou três vezes na mesma situação podem ser detidos por 15 a 90 dias ou até que obtenham renda que garanta seu sustento. A medida visa também suspender benefícios concedidos pela Justiça e capturar procurados.

A ação se refletiu no Abrigo. Há quinze dias a equipe do local tem sido surpreendida com a procura dos moradores de rua. “A maioria dessas pessoas tinha resistência, mas nos últimos dias elas têm nos procurado e o melhor é que essa vontade tem partido de cada uma delas. Quem antes nem banho queria tomar, hoje pede banho e quer nosso apoio. Na última semana conseguimos fazer quatro encaminhamentos para clínicas de recuperação na cidade e isso é satisfatório”, disse Adair de Carvalho.

Esse é o caso de Diego Oliveira de Jesus, 19, que mora na rua há dois anos. Viciado em crack, o jovem natural de Ouro Fino (MG) foi convidado por duas vezes a ir para o Abrigo, mas resistiu. Na última quinta-feira, 5, ele pediu para ficar no local e ainda quis ser internado em uma clínica de reabilitação. “Se não fosse o apoio do Abrigo, nem sei se estaria vivo hoje. Na rua a gente usa muita droga e não sabe se vai sobreviver.”

À frente da direção do Abrigo há 12 anos, Adair se diz satisfeito com a ação da PM. “Estou aqui há tanto tempo e hoje estou feliz por conta desse resultado. Mesmo que os números sejam de apenas 15 dias, é importante enxergar que isso está sendo positivo. Se de 50 que tiramos da rua, 20 não voltarem mais, é sinal de que valeu a pena lutar.”

BUSCA ATIVA
Dentro do Abrigo Provisório existe o Programa Busca Ativa. Uma viatura percorre a cidade identificando pessoas que estão na rua para tentar levá-las para o local. Quando acolhidos pelo programa, os moradores de rua recebem acompanhamento com assistente social, psicóloga e tratamento de saúde. Para os que são de outras cidades, a Prefeitura fornece passagens para cidades com raio de até 100 km de Franca.

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