Avaliação escolar


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Com base no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo), a Secretaria Estadual da Educação acaba de divulgar mais um ranking das escolas paulistas. Criado em 2007, esse índice é calculado a partir do desempenho dos alunos na prova do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar de São Paulo) e na frequência escolar dos mesmos.

Franca teve cinco escolas classificadas entre as 50 melhores do Estado, o que deve ser motivo de orgulho para suas respectivas equipes. A despeito de todo esse esforço, porém, talvez não tenhamos motivos para grandes comemorações. Para o bem da própria educação, seria prudente analisarmos dois pontos com um pouco mais de cuidado, pois as comemorações, apesar de importantes, às vezes podem esconder algumas lacunas.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a nota desse ranking varia de 0 a 10. Se excetuarmos o 5´ ano do ensino fundamental, vamos perceber que os alunos do 9´ ano e do 3´ ano do ensino médio não foram nada bem. A melhor em cada uma dessas categorias tirou 3,75 e 3,38 respectivamente, o que é bem abaixo da média, algo que por si só já é ruim, uma vez que a média é apenas o meio do caminho entre os piores e os melhores.

Nesses dois ciclos, pouquíssimas escolas atingiram as modestas metas estabelecidas pelo Estado. Das 33 que atuam no segundo ciclo do ensino fundamental, apenas nove conseguiram. Em relação ao ensino médio, das 31 unidades que o oferecem, apenas sete alcançaram a meta. E o pior é que essas metas estavam bem abaixo da média aritmética. Para se ter uma idéia, a melhor classificada entre as que atingiram a meta ficou com apenas 2,56 pontos.

Em segundo lugar, percebe-se claramente que a média alcançada pelas escolas vai caindo conforme se caminha em direção ao ensino médio, o que mostra uma política educacional nada consistente e o quanto a escola deve estar deslocada de seu entorno social. Se considerarmos que os dois últimos ciclos lidam com adolescentes e pré-adolescentes, crianças mais independentes e mais difíceis de lidar, podemos inferir que a escola está enfrentando sérias dificuldades com sua missão de ensinar.

A despeito dos problemas sociais e familiares que impactam no comportamento desses jovens, parece que a escola está defasada em relação aos interesses e aos anseios desses jovens. No limite, não consegue atrai-los, ou talvez compreendê-los ou mesmo mostrar-lhes a importância daquilo que ali é ensinado.

Pode ser que alguns advoguem que estamos evoluindo aos poucos, que somos um país jovem e que é preciso um pouco mais de paciência. O problema é que estamos indo muito devagar, caminhando de lado feito caranguejos.

Está na hora de parar com essa desculpa. O mundo lá fora não vai esperar.

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