Domingo da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo! Nosso coração está em festa pelo dom que o Pai faz ao mundo, uma nova vida em Cristo.
CELEBRAR A RESSURREIÇÃO
O mistério da ressurreição percorre todo esse tempo e todos os seus aspectos são contemplados. A boa nova da salvação é a causa do regozijo da Igreja. A ressurreição apresenta-se simultaneamente como acontecimento e como realidade onipresente, como mistério salvador que atua constantemente na Igreja.
Durante o tempo da páscoa não celebramos somente a ressurreição de Cristo, a cabeça, mas também a de seus membros. Por isso o batismo tem grande relevo na liturgia. Pela fé e o batismo somos introduzidos no mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor. A exortação de São Paulo que se lê na vigília pascal ressoa ao longo de toda essa época.
Todos nós que, pelo batismo, fomos incorporados a Cristo, também fomos incorporados à sua morte. Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que, assim como Cristo foi despertado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos numa nova vida. Não basta recordar o mistério, devemos também mostrá-lo com nossa vida. Ressuscitados com Cristo, nossa vida deverá manifestar a mudança. Devemos buscar as coisas do alto, onde Cristo está à direita de Deus. Isso significa compartilhar a liberdade dos filhos de Deus em Jesus Cristo.
‘ALELUIA’
A característica deste tempo litúrgico é a alegria. A música, o canto, os paramentos, as leituras e outros textos, tudo é orientado para expressar sentimentos de júbilo. Essa exuberância encontra ponto culminante na aclamação “Aleluia”. Na noite da páscoa, o sacerdote ou o diácono a entoa três vezes, e o povo a repete. É o arauto da boa nova da ressurreição. “Aleluia” é palavra de origem hebraica que significa simplesmente “louvor a Deus”. É aclamação que a Igreja herdou do Antigo Testamento e, portanto, constitui um nexo de união com a liturgia do templo e da sinagoga.
O certo é que o aleluia é a palavra-chave na liturgia pascal e expressa perfeitamente a alegria profunda deste tempo. Por isso não surpreende que os Padres da Igreja não só se referissem ao aleluia em sua pregação, mas que, ademais, apraziam-se em expo-lo em suas homilias da páscoa. É característico principalmente em santo Agostinho. Diz-se durante esses cinquenta dias porque aleluia significa louvor a Deus; portanto, para nós, que estamos trabalhando, significa chegar ao nosso descanso. Quando alcançamos nosso descanso depois do período de trabalho, nossa única ocupação será louvar a Deus, nossas ações serão um aleluia. Aleluia será nosso alimento, aleluia será nossa bebida, aleluia será nossa aprazível atividade, aleluia será nosso gozo completo.
Santo Agostinho considera o Aleluia como uma antecipação da alegria celestial; ele toca uma nota escatológica. É uma consideração muito típica nos padres, e nos introduz em um aspecto da alegria pascal. Portanto, este gozo da páscoa é pregustação da felicidade e plenitude futura. Não é ainda a realidade plena, e sim somente a primeira entrega daquilo que “nem olho viu nem ouvido ouviu”. A fonte interior deste gozo é o Espírito Santo. Onde há gozo verdadeiro age o Espírito Santo. Nos Atos, por exemplo, “Os discípulos estavam cheios de gozo e do Espírito Santo”. É como se um fora uma necessidade concomitante do outro.
Se a alegria pascal é pregustação e sinal daquela que virá, igualmente acontece com nossa posse do Espírito Santo. Recebemo-lo verdadeiramente; ele entrou, com efeito, em nossa vida. Sua presença é penhor da bem-aventurança que nos foi prometida.
A EUCARISTIA
O gozo pascal experimenta-se com particular intensidade na celebração eucarística, tanto na oferta dos dons como na comunhão. Aqui expressa a oração sobre as oferendas para o domingo da páscoa: “Transbordando de alegria pascal, nós vos oferecemos,ó Deus, o sacrifício pelo qual a vossa Igreja maravilhosamente renasce e se alimenta”. A eucaristia nos conduz à meta, que é a “glória da ressurreição”. Isso reflete o ensinamento de Cristo. Aquele que come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.
Já possuímos a vida eterna, pelo menos de modo parcial ou inicial. Disso nos alegramos, ainda que nosso gozo seja limitado de várias maneiras por nossa condição humana: por dores, como na perda de entes queridos: provas interiores e exteriores; e por nossa luta constante contra o pecado. Isso nos leva a falar da cruz. A igreja não apaga a memória do Calvário durante o tempo pascal. A cruz é comemorada também na liturgia. O sinal da cruz não se perde de vista no tempo da páscoa. Continua presente, ainda que transfigurado pela luz da glória páscal. A cruz não está ausente da celebração da páscoa; como tampouco nunca está ausente de nossas vidas. Não há época fechada ao sofrimento, nem existe tempo em que não se nos exorte a carregar a nossa cruz. Não devemos, porém, desanimar. O gozo não só pode existir com o sofrimento, mas também tem certa afinidade secreta com ele. As vidas dos santos são testemunhos vivos desta afirmação.
Que este tempo santo seja de profunda alegria cristã para você e sua família. Bom dia!
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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