Moradores e comerciantes assediados pelos pedintes se queixam da falta de uma solução efetiva para resolver o problema. Muitos relatam que se sentem intimidados com a abordagem feita por eles.
O comerciante Eliel Felipe, 42, da loja Felipe Bike, convive com a situação todos os dias. A loja fica na esquina das avenidas Chico Júlio e Orlando Dompieri e três moradores de rua costumam permanecer no semáforo para pedir dinheiro aos motoristas. O problema tem cerca de cinco anos. “Li no jornal e ouvi na rádio sobre a ação da polícia e do juiz Arimatéa, mas não senti diferença até o momento. A presença deles aqui, das 16h30 às 21 horas, é constante.”
Eliel disse que muitos motoristas doam moedas e notas para os pedintes. “Infelizmente o pessoal ajuda, o que incentiva a continuarem nas ruas. A população não deve dar esmola para eles. Se secar a fonte, eles não vão mais pedir.”
A prática tem sido rentável. “Muitos têm família e casa, mas são dependentes (de drogas). Conversei com alguns deles e declararam ganhar R$ 100 num dia para gastar com drogas. A gente trabalha o dia inteiro fechado e não consegue esse valor. Quem vai querer sair das ruas?”, disse um comerciante da rotatória da Alonso y Alonso com a rua Saldanha Marinho, que pediu para não ser identificado. “Não tem meios de tirá-los à força das ruas, mas acho importante oferecer um programa de recuperação para permitir a reinserção social. O problema mais comum que enfrentam é a droga.”
Tiago da Silva, gerente da Hidromar, em outro ponto da Alonso y Alonso, foi o único comerciante entrevistado a considerar que houve redução no número de pedintes após as operações da Polícia Militar iniciadas em março. “Sempre que são abordados pelos policiais, eles costumam deixar essa região. É uma situação chata que precisa ser resolvida.”
A Major Silva Sozza, subcomandante do 15º Batalhão da PM, disse que há suspeitas de que os pedintes estejam envolvidos em crimes. “Temos suspeitas de que alguns dos 39 que abordamos no mês passado estavam se fazendo de coitadinhos para observarem carros, comércio, residências e furtar, assaltar ou passar informações.”
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