É difícil entender. Em 2007, a Câmara Municipal aprovou uma resolução interna que proibiu a utilização de celulares no plenário durante as sessões. Como a Câmara não é muito diferente do restante do país, em 2012 ela já estava totalmente esquecida. Os próprios vereadores a desconheciam e por isso andavam à solta com seus celulares, a despeito das discussões ou das votações que se estabeleciam em plenário.
Flagrados no descumprimento dessa resolução por reportagem desse Comércio, publicada no dia 23/02, a questão obviamente caiu em domínio público. Para variar, não faltaram críticas à atitude dos vereadores. Talvez até não tenham surgido em função do celular, propriamente dito, uma vez que falar ao celular, dentro ou fora da Câmara, em hospitais, escolas ou qualquer outro espaço da vida moderna tornou-se algo comum e bastante aceito por toda a sociedade. Em função das necessidades de um mundo dinâmico e cada vez mais movimentado, estamos sempre ao telefone, falando, enviando mensagens ou acessando a internet, não importa o lugar, o momento ou a hora. É comum ouvirmos os tradicionais ‘toques’ desse aparelhinho em quase todos os lugares que frequentamos, a despeito de algumas vozes que teimam em protestar, não sem certa dose de razão.
O que mais chamou a atenção nessa atitude dos nossos vereadores foi a falta de exemplo. Por serem homens públicos, inclusive responsáveis pela elaboração das leis que regem a conduta social no âmbito da municipalidade, a última coisa que deles se espera é que descumpram essa lei, sobretudo aquelas que estabelecem as normas internas de funcionamento da casa legislativa.
Como já defendemos nesse mesmo espaço, talvez fosse o caso de se revogar essa norma interna, deixando a decisão de falar ou não ao celular ao bom senso de cada vereador e ao julgamento posterior de seus eleitores quanto à conduta que tiveram durante o mandato, até porque é difícil medir a eficiência de um vereador apenas pelo tempo em que ele fala ao telefone.
No entanto, na última semana, a Câmara rejeitou o projeto do vereador Jépy Pereira (PSDB), que propunha revogar essa proibição. Apenas quatro vereadores votaram a favor da proposta. Dessa forma, continua proibido o uso de celulares no plenário durante as sessões, sendo que a desobediência será passível de punição.
É realmente difícil entender. Nossos vereadores deveriam saber que é difícil proibir algo que já está arraigado no cotidiano social e em seu próprio comportamento. Além disso, se lembrarmos que foram sete os flagrados falando ao celular, e isso em umas poucas horas de cobertura jornalística, fica fácil imaginar quanta trapalhada ainda virá por aí.
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