Existem inúmeras datas comemorativas no calendário. Muitas para comemorar eventos históricos, outras para lembrar heróis nacionais ou mundiais e algumas de cunho religioso. Porém, nenhuma delas é tão única como o 1º de abril. Pense bem. Ela existe para celebrar a mentira! E não existe jeito melhor de homenagear algo do que fazê-lo. E, com o aval deste dia, milhares de pessoas pregam peças assustadoras nos pobres desavisados, que se esquecem, por um instante, que hoje é o Dia da Mentira. Certeza que várias mulheres com senso de humor para lá de aguçado assustaram seus namorados inocentes com uma assustadora notícia. “Amor, estava me sentindo estranha e resolvi comprar um teste de gravidez. Deu positivo”. Neste momento, um calafrio percorreu a espinha da cada homem só de imaginar tal situação. E, infelizmente, as namoradas que ainda não fizeram isso, já estão pegando os celulares e se preparando mentalmente para quase matar o namorado do coração. E esta é só uma das milhares de pegadinhas que ganham aval para a contecer hoje. Mas, por que? O que aconteceu no dia 1º de abril que o tornou conhecido oficialmente como o Dia da Mentira? Para saber isso e também conferir algumas das mentiras mais famosas da história recente é só se ligar nas próximas linhas.
Existem várias versões sobre onde e quando começou esta história. A mais aceita por historiadores aconteceu na França do século XVI, mais precisamente quando o rei Carlos IX (1560- 1574) implantou o calendário gregoriano como modelo a ser seguido pelo país. O então “novo” calendário, nada mais é que este! A partir dele, o ano começa dia 1º de janeiro. Antes disso, os franceses comemoravam a chegada do novo ano em 25 de março, com o início da primavera. As festas, que incluíam trocas de presentes e bailes animados, duravam uma semana e acabavam, justamente, dia 1º de abril. Quando o rei Carlos IX mudou o calendário, um grupo de cidadãos resistiu a isso e continuou a celebrar da maneira antiga. Foi então que um grupo de gozadores começou a ridicularizar a comemoração destes radicais e, quando chegava 1º de abril, eles organizavam diversas pegadinhas com os conservadores. Com o tempo, a brincadeira se estendeu para toda a França até chegar a Inglaterra, 200 anos depois, e daí conquistar o mundo.
Os primeiros registros das brincadeiras aqui no Brasil datam de 1848, quando um periódico de Pernambuco publicou, dia 1º de abril, uma nota de falecimento de Dom Pedro. Aliás, uma das grandes difusoras das brincadeiras do Dia da Mentira foram os grandes veículos de comunicação.
‘MENTIRAS’ DA MÍDIA
Há mais de um século e meio atrás, o jornal The Boston Post publicou que trabalhadores encontraram um tesouro perdido enquanto tentavam arrancar a raiz de uma árvore que havia desabado. Para piorar, a notícia ainda dizia que qualquer pessoa com uma pá poderia encontrar algum resquício do tesouro. Era um dia chuvoso e uma multidão, incluindo os nobres, foram ao local descrito para tentar a sorte. No dia seguinte, a manchete do jornal era April Fool, algo como tolos de abril na tradução livre. Esta é a primeira grande pegadinha que a mídia pregava na população.
Já o “prêmio” de mentira mais bem elaborada vai para o britânico The Guardian. Em 1977, o jornal tinha um especial de sete páginas que contava a história e dava detalhes geográficos da República de San Serriffe, um arquipélago que se movimentava entre os oceanos. A resposta do povo foi imediata, logo os telefones do jornais tocavam freneticamente, todos querendo saber mais sobre este local desconhecido. Não demorou para esta moda chegar ao Brasil. Em 1993, a Veja afirmou que cientistas de Hamburgo tinham inventado o “boimate”, uma mistura de células do tomate com o DNA do boi. Os jornalistas abusaram da ironia, tanto que um dos chefes desta “pesquisa” se chamava Barry McDonald.
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