Com 97 anos de história, o Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec” está agonizando. Sem reajustes nos repasses feitos pelo poder público desde 2009 e com uma demanda cada vez maior, a entidade já acumula uma dívida de R$ 400 mil e, se nada for feito, pode deixar de atender os pacientes da rede pública.
Wanderlei Cintra, presidente do hospital, disse que a situação já está no limite. “Não temos mais condição de continuar atendendo dessa forma. Quanto mais pacientes recebemos, maior nosso prejuízo.” Segundo ele, por paciente internado, a Secretaria Municipal de Saúde paga R$ 42 o dia. “Este valor é muito pouco perto do custo deste doente para o hospital. O ideal seria que recebêssemos pelo menos três vezes mais, algo em torno de R$ 120.”
O hospital conta com 200 leitos destinados ao SUS (Sistema Único de Saúde). Destes, 96 são ocupados por pacientes permanentes, que não têm família e moram no hospital. O restante é dividido entre as 23 cidades que compõem a região de Franca. “Somos o único hospital psiquiátrico que ainda atende gratuitamente na região. Estamos completamente lotados e ainda há uma fila de espera de 48 pessoas aguardando vaga para internação. Para continuar atendendo, precisamos de ajuda. Estamos no mesmo caminho da Santa Casa de Franca, já estamos nos endividando.”
Com os leitos lotados, ordens judiciais para internação de pacientes têm se tornado cada vez mais comuns. “Isso agrava ainda mais nossa situação, porque não podemos descumprir aquilo que a Justiça determina. Não temos condição de atender a todos da maneira que seria ideal.”
O presidente do hospital disse que já buscou ajuda junto aos deputados eleitos pela cidade. Na semana passada, também compareceu a uma audiência pública para falar sobre o atendimento a pacientes dependentes químicos. “Estamos fazendo nossa parte. Estamos lutando. Antes, o que lucrávamos com o atendimento particular cobria o déficit do atendimento público. Hoje isso não acontece mais. Se nada for feito, seremos obrigados a romper o contrato com o SUS, porque não podemos endividar ainda mais o hospital.”
O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, disse que a responsabilidade pelos repasses feitos ao hospital é do Ministério da Saúde, mas que estudará uma forma de ajudar (leia texto nesta página).
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