Vi(d)a Dutra


| Tempo de leitura: 2 min

Foi na Dutra, quando me veio tua impressão mais forte. Naná, minha amiga.

Eu comecei a chorar e acelerar a moto. Há muito eu já desconfiava que na vida a gente tem que se impor. Assim como no trânsito, se você não ocupar o espaço que é destinado ao seu veículo, as pessoas te jogam para o acostamento. Ou você mesmo se atropela.

E pelo filme que passou na minha cabeça, você sempre estava ali, protagonizando cenas, sorrindo e me dizendo sempre: Seja Única! Tenha coragem! Se arrisque Viva a Vida!

Lembro do primeiro dia que a vi.

Agora escrevendo este texto, eu compreendo um pouco mais o que é Antropofagia, Autopofagia... E você olhou meu cabelo, admirando o moicano numa mulher, e perguntou: — Quem corta seu cabelo, Jane?

Respondi: - Eu, Naná...

E depois disso iniciou uma das mais belas amizades entre uma menina e uma Mulher de Verdade!

Naná pediu que eu cortasse o cabelo dela assim como o meu, e como eu achava o meu bonito, eu cortei!

Durante esse tempo eu admirei a cabeça dela, suas idéias e fios de pensamento.

Naná é Comendadora - mereceu a medalha por Honra.

Nasceu em Piunhí - Minas Gerais cidadezinha pequena pra ela, que nasceu Grande.

Disse a mim que foi a primeira mulher a botar um par de calças e que pagou um preço alto por isso. E por mil outras coisas mas que felicidade!

Havia sorrisos em meio às narrações. E eu cortando cabelos... E ouvindo/vendo/devorando, como uma criança quando descobre a televisão e o seu primeiro herói.

Doce amazona teve um grande amor. Ficou viúva e ainda toca o barco bravamente! Teve uma filha e lhe deu um nome muito próprio: Ana que significa CHEIA DE GRAÇA, o que não poderia ser diferente, sendo sua Cria.

Como não pôde ser DIFERENTE, eu descendo a Via Dutra e lembrando de quando você me contou que fez isso sozinha de carro, numa época onde mulheres não dirigiam os carros, assim como não dirigiam a própria vida.

E quase perto do mar eu rezei assim: obrigada minha mãe Oyá, obrigada Naná. É uma honra te chamar de amiga, e queria te confessar: és também minha heroína!

E foi assim que chegamos no Rio de Janeiro direto das Minas Gerais, você sorrindo pra mim pelo retrovisor, e o pôr-do-sol invadindo nossa vida que foi e é Maravilhosa, porque NÓS temos um Espírito Livre!

Você é Eterna para mim, Naná. E toda sua História.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários