Meu corpo é obediente. Cumpriu e cumpre, silenciosamente, as vicissitudes e as fragilidades de cada fase da sua existência.
Meu espírito, porém, jovem e rebelde, teima em se manter impermeável às lições e surdo às vozes maduras.
À noite, quase morre sufocado pela nostalgia do fado e pela tragédia do tango.
Vestido de sol, ignora dificuldades e, com um cesto na mão, sai a percorrer ermos e a colher cadências. Depois, à sombra da tarde, bebe copos de brisa e abraça a vida.
E, antes que o escuro se intrometa, dança lá no topo de uma nuvem, ao ritmo de um samba.
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