Recaída protecionista


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A situação parece preocupante nesse início de ano. Com a indústria em desaceleração e a taxa de desemprego aumentando, o governo começa a debater no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) o direito de ajustar sua política comercial à variação cambial, tentando assim evitar mais prejuízos ao setor produtivo nacional.

Um exemplo recente foi o aumento de 30 pontos percentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados. Essa prática também já foi adotada para proteger nossa indústria calçadista. Por meio de uma sobretaxa adicional, prevista para os próximos cinco anos, cada par da calçado chinês ficou U$ 13,85 mais caro.

No domingo, dia 18/03, matéria publicada por este Comércio, mostrou que os empresários do setor calçadista solicitaram a expansão dessas medidas para barrar também os calçados importados de Taiwan, Vietnã e Indonésia, pois esses países estariam sendo usados pela China para driblar as medidas antidumping colocadas em vigor pelo governo brasileiro.

Se por um lado essas ações ganham relevância na medida em que tentam proteger nossa indústria e, consequentemente os empregos por elas gerados, por outro causam um pouco de preocupação, já que podem incorrer em uma ‘recaída protecionista’, acredita o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

E essa afirmação não é de todo desprovida de razão. Se olharmos para a história, vamos ver que o protecionismo exagerado não ajudou a desenvolver nenhuma grande indústria, ao contrário, apenas serviu para criar setores fechados e refratários, inibindo a inovação e a atualização tecnológica. Além disso, sempre que houve protecionismo, quem mais perdeu foram os consumidores locais, obrigados ao consumo de produtos inferiores em todos os aspectos.

Se pensarmos em termos de país, talvez fosse mais conveniente investir recursos, tempo e energia em reformas que pudessem desonerar a produção, melhorar a infraestrutura do país, simplificar a burocracia e aumentar a competitividade de nossos produtos do que impetrar essas ações pontuais de aumento de alíquota que não se sustentarão muito tempo no âmbito da OMC.

No plano local, levando-se em consideração os interesses de nossos calçadistas, talvez fosse mais produtivo promover um ‘choque de gestão’ em seus próprios negócios do que tentar barrar a indústria chinesa. Modernizar as empresas, investir em tecnologia, repensar a logística de venda e promover inovações em processos e produtos, entre outras ações voltadas à competitividade, talvez fosse mais producente do que correr para o ‘colo’ do governo pedindo uma ajuda que também não se sustentará para sempre.

Essas práticas protecionistas, mesmo que importantes em determinado momento, não podem se prolongar por muito tempo. Já tivemos experiências ruins nesse sentido e não devemos repeti-las.

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